3.1.26

Novas Diretrizes e a Comorbidade TEA e TDAH: O que a Ciência Brasileira Recomenda

 


 

 

Resumo Introdutório

 

A compreensão e o manejo do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) estão em constante evolução. Recentemente, a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) publicou novas diretrizes para o TEA, reforçando a importância do diagnóstico precoce e das intervenções baseadas em evidências. Paralelamente, estudos da Universidade de São Paulo (USP) destacam a necessidade de abordagens integradas para o TDAH, especialmente considerando a alta taxa de comorbidade entre os dois transtornos e o risco aumentado de depressão. Este artigo sintetiza as principais recomendações e descobertas científicas recentes para oferecer uma visão clara e embasada sobre o tema.

 

 

1. O Diagnóstico do TEA: Foco no Clínico e nas Escalas

 

As novas diretrizes da SBNI reiteram que o diagnóstico do TEA é essencialmente clínico  1 . Isso significa que ele se baseia na observação do comportamento da criança e na entrevista com os pais ou responsáveis, seguindo os critérios do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

 

2. Intervenções Terapêuticas: O Poder da Evidência

 

O tratamento do TEA deve ser multidisciplinar e focado em intervenções com comprovação científica. A diretriz brasileira destaca a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e modelos naturalísticos como abordagens de destaque.

 

Práticas com Evidência Científica (Exemplos):

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) Ensino por Tentativas Discretas

Modelagem

Treino de Habilidades Sociais

 

Alerta sobre Práticas Não Corroboradas:

 

O documento da SBNI é enfático ao alertar contra práticas sem evidência científica robusta, como dietas restritivas (sem glúten ou caseína), suplementações vitamínicas sem indicação clínica, intervenções biológicas (células-tronco, ozonioterapia) e o uso de Canabidiol (CBD) fora de estudos controlados  1 .

 

 

3. TDAH e a Necessidade de Abordagem Integrada

 

O TDAH, frequentemente em comorbidade com o TEA, também exige uma abordagem baseada em evidências. Pesquisas da USP reforçam que o tratamento deve ser individualizado e integrado, combinando o uso de medicamentos estimulantes (como o metilfenidato) com intervenções não farmacológicas  2 .

 

Neurociência e Genética do TDAH:

 

O TDAH é um transtorno neuropsiquiátrico complexo com fortes bases biológicas. A teoria mais aceita é a interação entre fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais. Estudos recentes identificaram genes de risco, como o KDM5B, mas reforçam que o transtorno é poligênico, ou seja, envolve a combinação de múltiplos fragmentos de DNA de risco  2 .

 

 

4. Comorbidade e Risco de Depressão

 

A associação entre TEA e TDAH é comum e traz um risco significativo para o desenvolvimento de depressão em crianças e adolescentes. Indivíduos com TEA e/ou TDAH têm um risco aproximadamente duas vezes maior de desenvolver depressão em comparação com a população geral  2 .

 

Uma das explicações para isso é a dificuldade social e os desafios interpessoais que podem levar a uma percepção mais aguda das próprias dificuldades, afetando a autoestima e contribuindo para quadros depressivos. Isso reforça a urgência de um diagnóstico e tratamento precoces e abrangentes.

 

 

Conclusão: Implicações Práticas

 

Para pais, educadores e profissionais da saúde, as novas evidências e diretrizes apontam para a necessidade de:

 

1.  Priorizar o Diagnóstico Clínico Precoce: A observação atenta e o uso de escalas validadas são cruciais para iniciar as intervenções o mais cedo possível.

 

2.  Focar em Intervenções Baseadas em Evidências: Abordagens como ABA e TCC devem ser a base do plano terapêutico, evitando práticas sem comprovação científica.

 

3.  Adotar uma Visão Integrada: O tratamento do TDAH e da comorbidade com TEA deve combinar, quando necessário, o manejo medicamentoso com terapias comportamentais e apoio psicossocial.

 

4.  Monitorar a Saúde Mental: Dada a alta comorbidade e o risco de depressão, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico deve ser contínuo, visando o bem-estar emocional e a qualidade de vida.

 

 

 

Referências

[1] G1. Nova diretriz nacional orienta diagnóstico e tratamento do autismo com base em evidências científicas. Disponível em:

[2] Jornal da USP. Diretrizes atualizadas são necessárias para tratar TDAH durante o desenvolvimento. Disponível em:

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