Resumo Introdutório
A
Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) lançou uma nova diretriz
nacional para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), um marco importante que
visa padronizar as condutas clínicas e garantir que o diagnóstico e o
tratamento sejam baseados nas mais sólidas evidências científicas 1 . Este
documento não apenas orienta profissionais de saúde, mas também serve como um
guia essencial para famílias, educadores e cuidadores, reforçando a importância
do diagnóstico precoce e do cuidado multidisciplinar.
O Diagnóstico: Essencialmente Clínico
O
novo protocolo reafirma que o diagnóstico do TEA é fundamentalmente clínico, ou
seja, não depende de exames laboratoriais ou de imagem. Ele é estabelecido
através da observação direta do comportamento da criança, de entrevistas
detalhadas com os responsáveis e da aplicação dos critérios definidos pelo
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) 1 .
Ferramentas de
Apoio:
Embora
o diagnóstico seja clínico, a diretriz recomenda o uso de escalas de avaliação
e rastreio como apoio, incluindo o M-Chat, CARS-2, ADI-R e ADOS-2. É crucial,
no entanto, que os profissionais estejam atentos a fatores que podem mimetizar
os sintomas do TEA, como a vulnerabilidade social ou o uso excessivo de telas,
que exigem uma avaliação diferenciada 1 .
O Tratamento: Foco na Evidência Científica
A
principal mensagem da diretriz sobre o tratamento é o destaque para as
intervenções baseadas em evidências. A abordagem terapêutica deve ser sempre
individualizada e multidisciplinar.
O
documento enfatiza a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e os modelos
naturalísticos como intervenções de primeira linha. Além disso, lista 28
práticas terapêuticas com comprovação científica, como a Terapia
Cognitivo-Comportamental (TCC), o treino de habilidades sociais e o ensino por
tentativas discretas.
Terapia Medicamentosa e Comorbidades
É
importante ressaltar que não existem medicamentos específicos para tratar os
sintomas centrais do TEA. A medicação é reservada para o manejo de comorbidades
frequentemente associadas, como o Transtorno do Déficit de Atenção e
Hiperatividade (TDAH), agressividade e distúrbios do sono 1 . Para o
tratamento dos distúrbios do sono, a melatonina é apontada como a opção com
maior evidência de eficácia 1 .
Alerta Contra Práticas Sem Comprovação
Um
dos pontos mais importantes e corajosos da nova diretriz é o alerta claro
contra intervenções que não possuem evidências científicas confiáveis. O
documento desaconselha o uso rotineiro de práticas como:
• Dietas
restritivas (sem glúten ou caseína), a menos que haja uma condição médica específica.
• Suplementações (como ômega-3 e vitaminas) sem
indicação clínica comprovada. • Intervenções biológicas não regulamentadas
(células-tronco, ozonioterapia,
quelantes).
• Psicanálise
e Son-rise, que não são consideradas práticas baseadas em evidências para o TEA.
• O
uso de Canabidiol (CBD), que ainda é considerado experimental e sem recomendação ampla para os sintomas centrais do
autismo 1 .
Conclusão e Implicações Práticas
A
nova diretriz da SBNI representa um avanço significativo na qualificação do
cuidado às pessoas com TEA no Brasil. Para pais e cuidadores, o documento
reforça a necessidade de buscar profissionais que sigam as práticas baseadas em
evidências e de participar ativamente do processo terapêutico. Para os profissionais,
é um chamado à padronização e à responsabilidade ética, garantindo que os
relatórios médicos sejam detalhados e fundamentados, essenciais para o acesso
aos direitos e terapias previstos em lei
1
.
Referências
[1]
Nova diretriz nacional orienta diagnóstico e tratamento do autismo com base em
evidências científicas | G1
(https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/20/nova-diretriz-nacional-orienta-diagnostico-e-tratamento-do-autismo-com-base-em-evidencias-cientificas.ghtml
)
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