1.1.26

Nova Diretriz Nacional para o Autismo: O que Muda no Diagnóstico e Tratamento

 


 

 

Resumo Introdutório

 

A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) lançou uma nova diretriz nacional para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), um marco importante que visa padronizar as condutas clínicas e garantir que o diagnóstico e o tratamento sejam baseados nas mais sólidas evidências científicas  1 . Este documento não apenas orienta profissionais de saúde, mas também serve como um guia essencial para famílias, educadores e cuidadores, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do cuidado multidisciplinar.

 

 

O Diagnóstico: Essencialmente Clínico

 

O novo protocolo reafirma que o diagnóstico do TEA é fundamentalmente clínico, ou seja, não depende de exames laboratoriais ou de imagem. Ele é estabelecido através da observação direta do comportamento da criança, de entrevistas detalhadas com os responsáveis e da aplicação dos critérios definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5)  1 .

 

Ferramentas de Apoio:

 

Embora o diagnóstico seja clínico, a diretriz recomenda o uso de escalas de avaliação e rastreio como apoio, incluindo o M-Chat, CARS-2, ADI-R e ADOS-2. É crucial, no entanto, que os profissionais estejam atentos a fatores que podem mimetizar os sintomas do TEA, como a vulnerabilidade social ou o uso excessivo de telas, que exigem uma avaliação diferenciada  1 .

 

 

O Tratamento: Foco na Evidência Científica

 

A principal mensagem da diretriz sobre o tratamento é o destaque para as intervenções baseadas em evidências. A abordagem terapêutica deve ser sempre individualizada e multidisciplinar.

 

O documento enfatiza a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e os modelos naturalísticos como intervenções de primeira linha. Além disso, lista 28 práticas terapêuticas com comprovação científica, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o treino de habilidades sociais e o ensino por tentativas discretas.

 

 

 

Terapia Medicamentosa e Comorbidades

 

É importante ressaltar que não existem medicamentos específicos para tratar os sintomas centrais do TEA. A medicação é reservada para o manejo de comorbidades frequentemente associadas, como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), agressividade e distúrbios do sono  1 . Para o tratamento dos distúrbios do sono, a melatonina é apontada como a opção com maior evidência de eficácia  1 .

 

 

Alerta Contra Práticas Sem Comprovação

 

Um dos pontos mais importantes e corajosos da nova diretriz é o alerta claro contra intervenções que não possuem evidências científicas confiáveis. O documento desaconselha o uso rotineiro de práticas como:

Dietas restritivas (sem glúten ou caseína), a menos que haja uma condição médica específica.

Suplementações (como ômega-3 e vitaminas) sem indicação clínica comprovada. Intervenções biológicas não regulamentadas (células-tronco, ozonioterapia,

quelantes).

Psicanálise e Son-rise, que não são consideradas práticas baseadas em evidências para o TEA.

O uso de Canabidiol (CBD), que ainda é considerado experimental e sem recomendação ampla para os sintomas centrais do autismo  1 .

 

 

Conclusão e Implicações Práticas

 

A nova diretriz da SBNI representa um avanço significativo na qualificação do cuidado às pessoas com TEA no Brasil. Para pais e cuidadores, o documento reforça a necessidade de buscar profissionais que sigam as práticas baseadas em evidências e de participar ativamente do processo terapêutico. Para os profissionais, é um chamado à padronização e à responsabilidade ética, garantindo que os relatórios médicos sejam detalhados e fundamentados, essenciais para o acesso aos direitos e terapias previstos em lei  1 .

 

 

Referências

 

[1] Nova diretriz nacional orienta diagnóstico e tratamento do autismo com base em evidências científicas | G1 (https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/20/nova-diretriz-nacional-orienta-diagnostico-e-tratamento-do-autismo-com-base-em-evidencias-cientificas.ghtml )

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