Introdução
O
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio
neurobiológico que afeta milhões de crianças e adultos em todo o mundo.
Caracterizado por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e
impulsividade, o TDAH pode impactar significativamente o desempenho acadêmico,
profissional e as relações sociais. Este artigo visa oferecer uma compreensão
clara e empática do TDAH, baseada em evidências científicas e traduzida para o
português, a partir das principais fontes científicas e jornalísticas.
O que
é o TDAH?
O
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição do
neurodesenvolvimento, de causas genéticas, que se manifesta na infância e
frequentemente acompanha o indivíduo por toda a vida [4]. É caracterizado por
desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, que são persistentes e prejudicam
o funcionamento ou o desenvolvimento [6].
Sinais e
Diagnóstico
Os
sintomas do TDAH podem ser percebidos na infância, mas o diagnóstico pode
ocorrer em idades mais avançadas [4, 5]. Um diagnóstico de qualidade é
fundamental para delinear um tratamento adequado. Ele deve incluir histórico
familiar e de desenvolvimento da criança, consulta médica, avaliação do nível
de inteligência, personalidade, desempenho escolar, relações com amigos,
disciplina e comportamento em casa e na sala de aula [6]. Os critérios
diagnósticos são estabelecidos pelo DSM-V (Diagnostic and Statistical Manual of
Mental Disorders), que descreve três subtipos [7]:
Forma Predominante
Hiperativa/Impulsiva
Caracterizada por
inquietude, os principais sintomas incluem [7]:
• Remexer ou
batucar as mãos ou os pés, ou se contorcer na cadeira.
•
Levantar da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado. •
Correr ou subir nas coisas em situações inapropriadas.
•
Incapacidade de brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente. •
Agir como se estivesse "com o motor ligado".
• Falar demais.
•
Deixar escapar uma resposta antes que a pergunta tenha sido concluída. •
Dificuldade para esperar a sua vez.
• Interromper ou
se intrometer.
Forma Predominante
Desatenta
Os principais
sintomas são [7]:
• Não prestar atenção em detalhes ou cometer
erros por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou durante outras
atividades.
• Ter dificuldade de manter a atenção em tarefas
ou atividades lúdicas. • Parecer não escutar quando alguém lhe dirige a palavra
diretamente.
• Não seguir instruções até o fim e não conseguir
terminar trabalhos escolares, tarefas ou deveres no local de trabalho.
• Ter dificuldade
para organizar tarefas e atividades.
• Evitar, não gostar ou relutar em se envolver em
tarefas que exijam esforço mental prolongado.
•
Perder coisas necessárias para tarefas ou atividades. • Ser facilmente
distraído por estímulos externos.
• Ser esquecido
em relação a atividades cotidianas.
Para
caracterizar uma das formas (hiperativa/impulsiva, desatenta e/ou combinada), o
indivíduo deve apresentar pelo menos seis dos nove sintomas citados em cada
módulo [7].
Neurociência e
Causas
O
TDAH é um distúrbio neurobiológico que envolve disfunção e desregulação do
sistema dopaminérgico, especialmente na região frontal do cérebro, responsável
pela atenção,
• Hereditariedade:
A incidência de TDAH em parentes de crianças com o diagnóstico é
significativamente maior.
• Fatores
Ambientais: Exposição a substâncias
tóxicas durante a gestação, uso de álcool e nicotina pela mãe, sofrimento
fetal, exposição a chumbo e problemas familiares.
Comorbidades e
Impacto
É
comum que o TDAH venha acompanhado de outros problemas emocionais e
comportamentais, como depressão, ansiedade, Transtorno Opositivo Desafiador
(TOD), Transtorno de Conduta, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e
Transtorno de Tiques [7]. O TDAH pode ter um impacto significativo na vida do
indivíduo, prejudicando o desempenho acadêmico e profissional, e predispondo a
problemas sociais e legais, como o uso de drogas [7].
Tratamento e
Intervenções
O
tratamento do TDAH é multidisciplinar e deve ser individualizado. Inclui
abordagens medicamentosas, como estimulantes (Ritalina, Concerta) e não
estimulantes, que visam melhorar a concentração e reduzir a fadiga mental.
Intervenções complementares não medicamentosas, como exercício físico, terapia
ocupacional e biofeedback, também são reconhecidas por seus benefícios [5]. É
fundamental que os pais procurem um especialista para diagnóstico e tratamento,
como psiquiatras, psicólogos ou fonoaudiólogos, dependendo do caso [7].
Conclusão
O
TDAH é um transtorno complexo que exige compreensão, diagnóstico preciso e
intervenções adequadas. Ao desmistificar seus sintomas, causas e impactos, e ao
promover a busca por apoio profissional, podemos contribuir para que indivíduos
com TDAH alcancem seu pleno potencial e vivam uma vida mais equilibrada e
produtiva.
Referências
[4]
gov.br. Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Disponível
em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/ 2022/20220311_relatorio_cp_03_pcdt_tdah.pdf
[5] Scielo.
Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/rbp/a/zsRj5Y4Ddgd4Bd95xBksFmc
[6]
IACAPAP. TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE. Disponível em: https://iacapap.org/_Resources/Persistent/ 69b849d851e040c48cc0036bf888874a4716afa3/D.1-ADHD-Portuguese-2020.pdf
[7]
Redalyc. Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH): desafios e
possibilidades frente a sala de aula. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/ 5606/560659006004/html/