Resumo Introdutório
A
compreensão e o manejo do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e do Transtorno
do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) estão em constante evolução.
Recentemente, a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) publicou
novas diretrizes para o TEA, reforçando a importância do diagnóstico precoce e
das intervenções baseadas em evidências. Paralelamente, estudos da Universidade
de São Paulo (USP) destacam a necessidade de abordagens integradas para o TDAH,
especialmente considerando a alta taxa de comorbidade entre os dois transtornos
e o risco aumentado de depressão. Este artigo sintetiza as principais
recomendações e descobertas científicas recentes para oferecer uma visão clara e
embasada sobre o tema.
1. O Diagnóstico do TEA: Foco no Clínico e nas Escalas
As
novas diretrizes da SBNI reiteram que o diagnóstico do TEA é essencialmente
clínico 1 . Isso significa que ele se baseia na observação
do comportamento da criança e na entrevista com os pais ou responsáveis,
seguindo os critérios do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais).
2. Intervenções Terapêuticas: O Poder da Evidência
O
tratamento do TEA deve ser multidisciplinar e focado em intervenções com
comprovação científica. A diretriz brasileira destaca a Análise do Comportamento
Aplicada (ABA) e modelos naturalísticos como abordagens de destaque.
Práticas com
Evidência Científica (Exemplos):
• Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) • Ensino
por Tentativas Discretas
• Modelagem
• Treino de Habilidades Sociais
Alerta sobre
Práticas Não Corroboradas:
O
documento da SBNI é enfático ao alertar contra práticas sem evidência científica
robusta, como dietas restritivas (sem glúten ou caseína), suplementações
vitamínicas sem indicação clínica, intervenções biológicas (células-tronco,
ozonioterapia) e o uso de Canabidiol (CBD) fora de estudos controlados 1 .
3. TDAH e a Necessidade de Abordagem Integrada
O
TDAH, frequentemente em comorbidade com o TEA, também exige uma abordagem
baseada em evidências. Pesquisas da USP reforçam que o tratamento deve ser
individualizado e integrado, combinando o uso de medicamentos estimulantes
(como o metilfenidato) com intervenções não farmacológicas 2 .
Neurociência e
Genética do TDAH:
O
TDAH é um transtorno neuropsiquiátrico complexo com fortes bases biológicas. A
teoria mais aceita é a interação entre fatores genéticos, neurobiológicos e
ambientais. Estudos recentes identificaram genes de risco, como o KDM5B, mas
reforçam que o transtorno é poligênico, ou seja, envolve a combinação de
múltiplos fragmentos de DNA de risco 2 .
4. Comorbidade e Risco de Depressão
A
associação entre TEA e TDAH é comum e traz um risco significativo para o
desenvolvimento de depressão em crianças e adolescentes. Indivíduos com TEA
e/ou TDAH têm um
risco aproximadamente duas vezes maior de desenvolver depressão em comparação
com a população geral 2 .
Uma
das explicações para isso é a dificuldade social e os desafios interpessoais que
podem levar a uma percepção mais aguda das próprias dificuldades, afetando a
autoestima e contribuindo para quadros depressivos. Isso reforça a urgência de
um diagnóstico e tratamento precoces e abrangentes.
Conclusão: Implicações Práticas
Para
pais, educadores e profissionais da saúde, as novas evidências e diretrizes
apontam para a necessidade de:
1.
Priorizar o Diagnóstico Clínico Precoce: A observação atenta e o uso de
escalas validadas são cruciais para iniciar as intervenções o mais cedo
possível.
2. Focar
em Intervenções Baseadas em Evidências: Abordagens como ABA e TCC devem ser a
base do plano terapêutico, evitando práticas sem comprovação científica.
3.
Adotar uma Visão Integrada: O tratamento do TDAH e da comorbidade com
TEA deve combinar, quando necessário, o manejo medicamentoso com terapias
comportamentais e apoio psicossocial.
4.
Monitorar a Saúde Mental: Dada a alta comorbidade e o risco de
depressão, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico deve ser contínuo,
visando o bem-estar emocional e a qualidade de vida.
Referências
[1] G1. Nova diretriz nacional orienta
diagnóstico e tratamento do autismo com base em evidências científicas. Disponível em:
[2] Jornal da USP. Diretrizes atualizadas
são necessárias para tratar TDAH durante o desenvolvimento. Disponível em: