O diagnóstico precoce
do Transtorno
do Espectro Autista
(TEA) é a chave para o sucesso das intervenções. Nesse cenário,
a tecnologia tem apresentado avanços notáveis, como o novo método de rastreamento ocular (eye-tracking), aprovado nos Estados Unidos
em agosto de 2023. Conduzido pelo brasileiro Ami Klin, diretor
do principal centro
de tratamento de autismo dos EUA, o exame chamado EarliPoint promete um resultado em até 15 minutos [1].
Como Funciona a Tecnologia
O exame EarliPoint monitora os olhos de crianças pequenas (atualmente de 1 ano e 4 meses a 2 anos e meio) 120 vezes por segundo enquanto elas assistem a vídeos de interações sociais. A
tecnologia utiliza padrões de atenção visual como um biomarcador para
identificar sinais precoces
de autismo.
A grande vantagem do método é a velocidade. O processo diagnóstico tradicional pode levar de 6 a 10 horas de avaliação clínica, com listas de espera que chegam a 1 ou 2 anos. O EarliPoint reduz esse
tempo para minutos, tornando o diagnóstico mais objetivo, barato e acessível [1].
O Alerta da Comunidade Científica: O Diagnóstico Não é Apenas um Teste
Apesar do entusiasmo com a inovação,
especialistas brasileiros alertam para a necessidade de cautela e
contextualização. O psiquiatra de crianças e adolescentes da USP, Guilherme Polanczyk, enfatiza que o método deve ser visto como um suporte, e não como um substituto para o exame
clínico completo [1].
O TEA é uma condição complexa e heterogênea. A falta de contato ocular, embora
frequente, não é um marcador presente em 100% dos indivíduos com autismo. Além disso, outros fatores, como dificuldades sensoriais ou comorbidade com TDAH, podem influenciar o rastreamento ocular,
exigindo uma validação
mais ampla da ferramenta em diversas populações [1].
"A gente não tem essa expectativa de que um único marcador seja possível para o diagnóstico de algo tão
complexo e tão heterogêneo", afirma Polanczyk, ressaltando que o futuro do diagnóstico deve envolver múltiplos biomarcadores, incluindo a análise de
risco genético e o uso de Inteligência Artificial para processar grandes
volumes de dados [1].
|
|
Rastreamento Ocular (EarliPoint) |
Diagnóstico Clínico Tradicional |
|
Função |
Biomarcador de suporte |
Avaliação completa e definitiva |
|
Tempo |
15 minutos |
6 a 10 horas (além da espera) |
|
Abrangência |
Focado em atenção visual |
Histórico de desenvolvimento, testes padronizados e observação direta |
|
Status no Brasil |
Sem previsão de chegada |
Feito a partir dos 18 meses |
Implicações Práticas
Para Pais: Acelerar o diagnóstico é vital, mas é
fundamental entender que a tecnologia é uma ferramenta auxiliar. O diagnóstico final e o plano de tratamento individualizado devem sempre
ser conduzidos por um profissional de saúde qualificado. A intervenção
precoce, iniciada após o diagnóstico, continua sendo o fator mais importante para o
desenvolvimento da criança.
Para Profissionais da Saúde: A tecnologia pode otimizar o tempo de avaliação, permitindo
que o profissional dedique mais tempo à conversa com os pais e à elaboração do plano terapêutico. Contudo, a
disseminação de qualquer nova ferramenta deve ser acompanhada de treinamento adequado e da garantia de que haverá intervenções disponíveis para as crianças
diagnosticadas, evitando que o diagnóstico, por si só, cause mais ansiedade do que alívio.
Referências
[1] G1. Teste identifica autismo com análise dos olhos em 15 minutos; entenda ressalvas da técnica em uso nos EUA. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/bem- estar/noticia/2025/08/20/teste-identifica-autismo-com-analise-dos-olhos-em-15-minutos- entenda-ressalvas-da-tecnica-em-uso-nos-eua.ghtml

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