Resumo: A Sociedade Brasileira de
Neurologia Infantil (SBNI) lançou uma nova diretriz nacional que atualiza as
recomendações para o diagnóstico e tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O documento reforça a importância do diagnóstico clínico, do cuidado multidisciplinar e, crucialmente, alerta a comunidade sobre práticas sem comprovação científica, focando apenas
em intervenções baseadas
em evidências.
O que a Nova Diretriz Traz de Mais Importante?
O novo guia,
elaborado por especialistas do Departamento Científico
de Transtornos do Neurodesenvolvimento, serve
como um farol
para profissionais de saúde, famílias e educadores, garantindo que o cuidado com a pessoa autista esteja alinhado
com o que há de mais sólido na ciência.
1. O Diagnóstico: Essencialmente Clínico e Cauteloso
A diretriz reitera que o diagnóstico
do TEA é clínico, ou seja, baseado na observação atenta do
comportamento, na entrevista detalhada com os responsáveis e nos critérios estabelecidos pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais).
•
Ferramentas
de Apoio: Escalas de rastreio
como M-Chat, CARS-2, ADI-R e ADOS-2 são valiosas, mas servem apenas como apoio à avaliação clínica,
e não como substitutas.
•
Atenção aos Falsos Sinais:
O documento alerta
para a necessidade de atenção redobrada, pois fatores como vulnerabilidade
social e o uso excessivo de telas podem mimetizar sintomas do autismo, exigindo
um olhar profissional experiente.
•
Exames Complementares: Exames laboratoriais ou de imagem
não são obrigatórios para o diagnóstico, sendo utilizados apenas para investigar
diagnósticos diferenciais ou comorbidades.
2. O Tratamento: Foco nas Evidências Científicas
O ponto central
da diretriz é o reforço
às intervenções com eficácia comprovada,
priorizando a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e modelos naturalísticos.
A SBNI lista
28 práticas baseadas
em evidências que devem ser o pilar
do tratamento multidisciplinar, incluindo:
|
|
Aplicação |
|
Análise do Comportamento Aplicada (ABA) |
O modelo mais
robusto, focado no
ensino de habilidades e
redução de comportamentos desafiadores. |
|
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) |
Útil para comorbidades como ansiedade e depressão, e para o desenvolvimento de habilidades de enfrentamento. |
|
Treino de Habilidades Sociais |
Focado em melhorar a interação social e a comunicação. |
|
Ensino por Tentativas Discretas e Modelagem |
Técnicas específicas de ensino
que quebram tarefas complexas em passos menores. |
Carga Horária: A diretriz enfatiza que a
carga horária terapêutica deve ser individualizada, definida
pela equipe multidisciplinar em conjunto com a família,
respeitando as necessidades e a rotina
da criança ou adolescente.
3. Alerta Vermelho: Práticas Sem Comprovação Científica
Em um dos pontos mais importantes, o
documento emite um alerta claro contra práticas que,
embora populares, não possuem evidências científicas confiáveis. A diretriz
desaconselha o uso rotineiro de:
• Dietas Restritivas (sem glúten ou caseína)
• Suplementações (como ômega-3 e vitaminas, sem deficiência comprovada)
• Intervenções Biológicas (células-tronco, ozonioterapia, quelantes)
• Técnicas Específicas (Psicanálise, Son-rise)
•
Canabidiol (CBD) e Ácido Folínico
(considerados experimentais ou sem recomendação rotineira).
A Mensagem de Empatia e Responsabilidade: A SBNI demonstra empatia ao reconhecer o
desespero de algumas famílias, mas reforça a responsabilidade ética de focar em
tratamentos que realmente funcionam, evitando gastos desnecessários e perda de tempo precioso de intervenção.
4. O Papel da Medicação e
das Comorbidades
A diretriz é clara: não existe medicamento para os sintomas
centrais do TEA. O uso de
fármacos é reservado para
tratar as comorbidades frequentemente associadas ao autismo,
como:
• Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
• Agressividade e Irritabilidade
• Distúrbios do Sono
• Ansiedade
Para o Distúrbio do Sono, a melatonina
é destacada como a opção
com maior evidência para melhorar a qualidade do sono em crianças com
TEA.
Conclusão: Implicações Práticas
A nova diretriz
da SBNI é um marco para a saúde no Brasil, oferecendo maior segurança e padronização no atendimento.
•
Para Pais e
Cuidadores: É um guia para exigir intervenções de qualidade,
baseadas em ciência, e para questionar propostas que parecem milagrosas, mas carecem de evidências.
•
Para Profissionais da Saúde: É um chamado à prática ética
e qualificada, com foco no diagnóstico precoce e no cuidado
multidisciplinar coordenado.
•
Para a Sociedade: É um reforço ao compromisso com a conscientização e o amparo legal, garantindo que as pessoas com TEA recebam o suporte que merecem.
O conteúdo deste artigo é baseado na
nova diretriz da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI), divulgada
por meio de reportagem jornalística [1].
Referências
[1] G1. Nova diretriz nacional orienta
diagnóstico e tratamento do autismo com base em evidências científicas. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/20/nova-diretriz-nacional-orienta- diagnostico-e-tratamento-do-autismo-com-base-em-evidencias-cientificas.ghtml

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