3.11.25

Nova Diretriz Nacional de Autismo: O Guia Essencial para o Diagnóstico e Tratamento Baseado em Evidências

 


Resumo: A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) lançou uma nova diretriz nacional que atualiza as recomendações para o diagnóstico e tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O documento reforça a importância do diagnóstico clínico, do cuidado multidisciplinar e, crucialmente, alerta a comunidade sobre práticas sem comprovação cientíca, focando apenas em intervenções baseadas em evidências.

 

O que a Nova Diretriz Traz de Mais Importante?

O novo guia, elaborado por especialistas do Departamento Cientíco de Transtornos do Neurodesenvolvimento, serve como um farol para prossionais de saúde, famílias e educadores, garantindo que o cuidado com a pessoa autista esteja alinhado com o que há de mais sólido na ciência.

 

1.  O Diagnóstico: Essencialmente Clínico e Cauteloso

A diretriz reitera que o diagnóstico do TEA é clínico, ou seja, baseado na observação atenta do comportamento, na entrevista detalhada com os responsáveis e nos critérios estabelecidos pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

    Ferramentas de Apoio: Escalas de rastreio como M-Chat, CARS-2, ADI-R e ADOS-2 são valiosas, mas servem apenas como apoio à avaliação clínica, e não como substitutas.

    Atenção aos Falsos Sinais: O documento alerta para a necessidade de atenção redobrada, pois fatores como vulnerabilidade social e o uso excessivo de telas podem mimetizar sintomas do autismo, exigindo um olhar prossional experiente.

    Exames Complementares: Exames laboratoriais ou de imagem não são obrigatórios para o diagnóstico, sendo utilizados apenas para investigar diagnósticos diferenciais ou comorbidades.

 

2.  O Tratamento: Foco nas Evidências Cientícas

O ponto central da diretriz é o reforço às intervenções com ecácia comprovada, priorizando a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e modelos naturalísticos.

A SBNI lista 28 práticas baseadas em evidências que devem ser o pilar do tratamento multidisciplinar, incluindo:


Intervenção Baseada em Evidência

Aplicação

 

Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

O modelo mais robusto, focado no ensino de habilidades e redução de comportamentos desaadores.

 

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

Útil para comorbidades como ansiedade e depressão, e para o desenvolvimento de habilidades de enfrentamento.

Treino de Habilidades Sociais

Focado em melhorar a interação social e a comunicação.

Ensino por Tentativas Discretas e Modelagem

Técnicas especícas de ensino que quebram tarefas complexas em passos menores.

 

 

Carga Horária: A diretriz enfatiza que a carga horária terapêutica deve ser individualizada, denida pela equipe multidisciplinar em conjunto com a família, respeitando as necessidades e a rotina da criança ou adolescente.

 

3.  Alerta Vermelho: Práticas Sem Comprovação Cientíca

Em um dos pontos mais importantes, o documento emite um alerta claro contra práticas que, embora populares, não possuem evidências cientícas conáveis. A diretriz desaconselha o uso rotineiro de:

    Dietas Restritivas (sem glúten ou caseína)

    Suplementações (como ômega-3 e vitaminas, sem deciência comprovada)

    Intervenções Biológicas (células-tronco, ozonioterapia, quelantes)

    Técnicas Especícas (Psicanálise, Son-rise)

    Canabidiol (CBD) e Ácido Folínico (considerados experimentais ou sem recomendação rotineira).

A Mensagem de Empatia e Responsabilidade: A SBNI demonstra empatia ao reconhecer o desespero de algumas famílias, mas reforça a responsabilidade ética de focar em tratamentos que realmente funcionam, evitando gastos desnecessários e perda de tempo precioso de intervenção.

 

4.  O Papel da Medicação e das Comorbidades

A diretriz é clara: não existe medicamento para os sintomas centrais do TEA. O uso de fármacos é reservado para tratar as comorbidades frequentemente associadas ao autismo,


como:

    Transtorno do cit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

    Agressividade e Irritabilidade

    Distúrbios do Sono

    Ansiedade

Para o Distúrbio do Sono, a melatonina é destacada como a opção com maior evidência para melhorar a qualidade do sono em crianças com TEA.

 

Conclusão: Implicações Práticas

A nova diretriz da SBNI é um marco para a saúde no Brasil, oferecendo maior segurança e padronização no atendimento.

    Para Pais e Cuidadores: É um guia para exigir intervenções de qualidade, baseadas em ciência, e para questionar propostas que parecem milagrosas, mas carecem de evidências.

    Para Prossionais da Saúde: É um chamado à prática ética e qualicada, com foco no diagnóstico precoce e no cuidado multidisciplinar coordenado.

    Para a Sociedade: É um reforço ao compromisso com a conscientização e o amparo legal, garantindo que as pessoas com TEA recebam o suporte que merecem.

O conteúdo deste artigo é baseado na nova diretriz da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI), divulgada por meio de reportagem jornalística [1].

 

Referências

[1] G1. Nova diretriz nacional orienta diagnóstico e tratamento do autismo com base em evidências cientícas. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/20/nova-diretriz-nacional-orienta- diagnostico-e-tratamento-do-autismo-com-base-em-evidencias-cienticas.ghtml

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