8.11.25

Alerta na Gravidez: Novo Estudo Reforça Ligação entre Acetaminofeno e Risco de TEA e TDAH

 


Equilibrando a Segurança da Gestante e a Proteção do Neurodesenvolvimento Fetal

O acetaminofeno (conhecido no Brasil como paracetamol) é o medicamento mais utilizado por gestantes no mundo para aliviar dores e febres, sendo tradicionalmente considerado a opção mais segura. Contudo, um estudo rigoroso da Escola de Medicina Icahn, no Mount Sinai, Nova York [3], reacende o debate ao apoiar a evidência de que a exposição pré-natal ao medicamento pode estar ligada a um aumento no risco de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Décit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

 

A Força da Evidência Cientíca

A pesquisa se destaca por ser a primeira a aplicar a metodologia Navigation Guide para avaliar sistematicamente a literatura cientíca sobre o tema. Essa abordagem de "padrão ouro" permitiu aos pesquisadores analisar 46 estudos com dados de mais de 100.000 participantes, avaliando o risco de viés e a qualidade da evidência de cada um.

A conclusão foi clara: estudos de maior qualidade cientíca são mais propensos a demonstrar uma ligação entre o uso de acetaminofeno durante a gestação e o aumento dos riscos de TEA e TDAH [3].

O artigo também explora os possíveis mecanismos biológicos por trás dessa associação. O acetaminofeno é conhecido por atravessar a barreira placentária e pode:

    Desencadear estresse oxidativo no feto.

    Interferir na regulação hormonal.

    Causar alterações epigenéticas que perturbam o desenvolvimento cerebral fetal.

 

O Que as Gestantes e Prossionais Devem Saber

É fundamental ressaltar que o estudo não prova que o acetaminofeno causa TEA ou TDAH, mas sim que fortalece a evidência de uma associação entre eles. Dada a ampla utilização do medicamento, mesmo um pequeno aumento no risco pode ter grandes implicações para a saúde pública.

"Mulheres grávidas não devem parar de tomar medicamentos sem consultar seus médicos. Dor ou febre não tratadas também podem prejudicar o bebê. Nosso estudo


destaca a importância de discutir a abordagem mais segura com os prossionais de saúde e considerar opções não medicamentosas sempre que possível." - Dr. Diddier Prada, co-autor do estudo [3].

Implicações Práticas:

 

Para Gestantes

Para Prossionais de Saúde

Não interrompa o uso sem orientação médica.

Atualizar diretrizes clínicas para equilibrar riscos e benefícios.

Converse com seu médico sobre a menor dose ecaz e o uso limitado no tempo.

Priorizar o uso cauteloso e limitado do medicamento durante a gravidez.

Considere alternativas não medicamentosas para dor e febre, como compressas ou repouso, sempre que possível.

Incentivar a discussão aberta com as pacientes sobre os achados cientícos e as opções de tratamento.

 

 

 

Conclusão: Cautela e Diálogo

A pesquisa do Mount Sinai é um chamado à cautela e ao diálogo aberto entre gestantes e seus médicos. Ela reforça a necessidade de usar o paracetamol com moderação e sob supervisão prossional durante a gravidez, garantindo que o benefício do tratamento para a mãe supere qualquer risco potencial para o bebê. O futuro da pesquisa deve focar em conrmar esses achados e, crucialmente, em desenvolver alternativas mais seguras para o manejo da dor e febre em mulheres grávidas.


 

Referências

[3] Mount Sinai. (2025). Mount Sinai Study Supports Evidence That Prenatal Acetaminophen Use May Be Linked to Increased Risk of Autism and ADHD. Mount Sinai Newsroom. https://www.mountsinai.org/about/newsroom/2025/mount-sinai-study-supports-  evidence-that-prenatal-acetaminophen-use-may-be-linked-to-increased-risk-of-autism- and-adhd

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