14.9.25

Novos Critérios Diagnósticos para o Transtorno do Espectro Autista (TEA): CID-11 e DSM-5-TR


Introdução

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem passado por importantes atualizações nas classificações internacionais, visando uma compreensão mais abrangente e precisa da condição. As revisões mais recentes da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) e do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR) trazem mudanças significativas que impactam a forma como o TEA é conceituado e diagnosticado. Este artigo explora as principais alterações e suas implicações.

 

A Evolução dos Manuais Diagnósticos: CID-11 e DSM-5- TR

A Classificação Internacional de Doenças (CID), desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um padrão global para registrar informações de saúde e causas de morte. A CID-11, sua décima primeira revisão, substituirá a CID-10 e tem previsão de início de uso no Brasil a partir de janeiro de 2027. Esta nova versão é totalmente digital, com um formato atualizado e recursos multilíngues que visam reduzir erros e facilitar a padronização global das informações de saúde [2].

Paralelamente, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), é amplamente utilizado para o diagnóstico de transtornos mentais. O DSM-5-TR (Text Revision), publicado em 2022, é a quinta edição revisada do manual e contou com a colaboração de mais de 200 especialistas, com foco em aspectos culturais, de gênero e etnoraciais, além de incluir um novo diagnóstico (transtorno de luto prolongado) e novos códigos para comportamento suicida e automutilação não suicida [2].


O TEA como um Espectro Único

Uma das mudanças mais relevantes tanto na CID-11 quanto no DSM-5-TR é a compreensão do autismo como um único espectro ou categoria, o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa abordagem substitui as classificações anteriores que agrupavam diferentes características do autismo em subgrupos distintos, como a Síndrome de Asperger e os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento sem Outra Especificação. Agora, o TEA é visto como uma condição contínua, com variações nos níveis de gravidade [2].

 

Níveis de Gravidade no DSM-5

O DSM-5 classifica o TEA em três níveis de gravidade, baseados na funcionalidade e na necessidade de apoio:

Nível I: Requer apoio. Indivíduos neste nível apresentam prejuízo social notável na ausência de apoio, dificuldades para iniciar interações e tentativas malsucedidas de contato social. Podem ter dificuldade de organização, planejamento e certa inflexibilidade de comportamentos.

Nível II: Requer apoio substancial. prejuízos sociais aparentes, limitações

significativas para iniciar e manter interações, inflexibilidade de comportamento e dificuldade para lidar com mudanças.

Nível III: Requer muito apoio substancial. Caracteriza-se por déficits graves nas

habilidades de comunicação social, inflexibilidade extrema de comportamento e dificuldade acentuada com mudanças [2].

Quanto menor o grau de comprometimento do nível, melhor tende a ser o prognóstico do paciente.

 

Foco da CID-11: Deficiência Intelectual e Linguagem Funcional

A CID-11, por sua vez, considera de forma mais clara a deficiência intelectual e a linguagem funcional para enquadrar os diferentes diagnósticos do TEA, baseando-se nos níveis de prejuízos nessas habilidades cognitivas. Ambos os manuais, no entanto, adotam não apenas critérios comportamentais e indicadores do desenvolvimento, mas também critérios cognitivos e de adaptação ao meio (funcionalidade/atividades da vida diária) [2].


Implicações e Desafios

A transição para esses novos critérios diagnósticos pode gerar alterações na sensibilidade diagnóstica, especialmente para indivíduos que antes não eram enquadrados como autismo, mas apresentavam prejuízos na comunicação e interação social. É fundamental que profissionais de saúde e educadores estejam capacitados para compreender e aplicar essas novas diretrizes, garantindo um diagnóstico preciso e o acesso a intervenções adequadas [2].

 

Conclusão

As atualizações na CID-11 e no DSM-5-TR representam um avanço significativo na compreensão e no diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista. Ao conceituar o TEA como um espectro único e detalhar os níveis de gravidade e funcionalidade, esses manuais oferecem uma estrutura mais refinada para a identificação da condição. A implementação dessas novas diretrizes, acompanhada de capacitação profissional e acesso a intervenções baseadas em evidências, é essencial para promover o bem-estar e o desenvolvimento de indivíduos com TEA.

 

Referências

[2] Instituto Inclusão Brasil. NOVOS CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE AUTISMO TEA NA

CID-11 E DSM-5-TR. Disponível em: https://institutoinclusaobrasil.com.br/novos- criterios-diagnosticos-de-autismo-tea-na-cid-11-e-dsm-5-tr/

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