Introdução
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem passado por
importantes atualizações nas classificações internacionais, visando uma
compreensão mais abrangente e precisa
da condição. As revisões mais recentes da Classificação
Internacional de Doenças
(CID-11) e do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais (DSM-5-TR) trazem mudanças significativas que impactam a forma como o TEA é conceituado
e diagnosticado. Este artigo explora as principais alterações e suas implicações.
A Evolução dos Manuais Diagnósticos: CID-11 e DSM-5- TR
A
Classificação Internacional de Doenças (CID), desenvolvida pela Organização
Mundial da
Saúde (OMS), é um padrão global para registrar informações de saúde e causas de morte.
A CID-11, sua décima primeira
revisão, substituirá a CID-10 e tem previsão
de início de uso no Brasil a partir de janeiro
de 2027. Esta nova versão é totalmente digital, com um formato
atualizado e recursos
multilíngues que visam
reduzir erros e facilitar a padronização global das informações de
saúde [2].
Paralelamente, o Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
(DSM), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), é amplamente utilizado para o diagnóstico de transtornos mentais. O DSM-5-TR (Text Revision), publicado em 2022, é a
quinta edição revisada do manual e contou com a colaboração de mais de 200
especialistas, com foco em aspectos culturais, de gênero e etnoraciais, além de
incluir um novo diagnóstico (transtorno de luto prolongado) e novos códigos
para comportamento suicida e automutilação não suicida [2].
O TEA como um Espectro Único
Uma das mudanças
mais relevantes tanto
na CID-11 quanto
no DSM-5-TR é a
compreensão do autismo como um único espectro ou categoria, o Transtorno do
Espectro Autista (TEA). Essa abordagem
substitui as classificações anteriores que
agrupavam diferentes características do autismo em subgrupos distintos, como a
Síndrome de Asperger e os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento sem Outra
Especificação. Agora, o TEA é visto como uma condição contínua, com variações nos níveis
de gravidade [2].
Níveis de Gravidade no DSM-5
O
DSM-5 classifica o TEA em três níveis de gravidade, baseados na funcionalidade
e na necessidade de apoio:
• Nível I: Requer
apoio. Indivíduos neste nível apresentam prejuízo social notável na ausência de apoio, dificuldades para iniciar interações e tentativas malsucedidas de contato social. Podem ter dificuldade de organização, planejamento e certa inflexibilidade de comportamentos.
• Nível II: Requer apoio substancial. Há prejuízos sociais aparentes, limitações
significativas para iniciar e manter interações, inflexibilidade de comportamento e dificuldade para lidar com mudanças.
• Nível III: Requer muito apoio substancial. Caracteriza-se por déficits
graves nas
habilidades de comunicação social, inflexibilidade
extrema de comportamento e dificuldade acentuada com mudanças [2].
Quanto menor o grau de comprometimento do nível, melhor tende a ser o prognóstico
do paciente.
Foco da CID-11: Deficiência Intelectual e Linguagem Funcional
A
CID-11, por sua vez, considera de forma mais clara a deficiência intelectual e
a linguagem funcional para enquadrar os diferentes diagnósticos do TEA, baseando-se nos níveis de prejuízos nessas
habilidades cognitivas. Ambos os manuais, no entanto, adotam não apenas critérios comportamentais e indicadores do desenvolvimento, mas também critérios cognitivos e de adaptação
ao meio (funcionalidade/atividades da vida diária) [2].
Implicações e Desafios
A transição para esses novos
critérios diagnósticos pode gerar alterações na sensibilidade diagnóstica, especialmente para indivíduos que
antes não eram enquadrados como autismo,
mas apresentavam prejuízos na comunicação e interação
social. É fundamental que profissionais de saúde e educadores estejam
capacitados para compreender e aplicar essas
novas diretrizes, garantindo um diagnóstico preciso
e o acesso a intervenções adequadas [2].
Conclusão
As atualizações na CID-11 e no DSM-5-TR
representam um avanço significativo na compreensão e no diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista.
Ao conceituar o TEA
como um espectro único e detalhar os níveis de gravidade e funcionalidade,
esses manuais oferecem uma estrutura mais refinada para a identificação da
condição. A implementação dessas novas diretrizes, acompanhada de capacitação
profissional e acesso a intervenções baseadas em evidências, é essencial para promover o bem-estar e o
desenvolvimento de indivíduos com TEA.
Referências
[2] Instituto Inclusão Brasil. NOVOS CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE AUTISMO – TEA NA
CID-11 E DSM-5-TR. Disponível em: https://institutoinclusaobrasil.com.br/novos- criterios-diagnosticos-de-autismo-tea-na-cid-11-e-dsm-5-tr/
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