O que a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) diz sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)
O Transtorno do Espectro Autista (TEA)
é uma condição complexa que exige uma abordagem diagnóstica e terapêutica
baseada em ciência. Recentemente, a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil
(SBNI) lançou uma nova
diretriz nacional que visa unificar e atualizar as práticas no Brasil, focando em evidências científicas e desaconselhando práticas sem comprovação. Este artigo detalha os pontos mais importantes do novo documento, que serve como um
guia essencial para profissionais, pais e educadores, reforçando a importância do diagnóstico precoce
e do cuidado multidisciplinar.
A Sociedade Brasileira de Neurologia
Infantil (SBNI) lançou recentemente uma nova diretriz nacional que visa unificar e atualizar as práticas de
diagnóstico e tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. O
documento, baseado em um rigoroso conjunto de evidências científicas, serve como um guia essencial para profissionais de saúde, pais e educadores,
reforçando a importância do diagnóstico precoce e do cuidado multidisciplinar.
1.
O Diagnóstico é Essencialmente Clínico
A diretriz reitera que o diagnóstico
do TEA é clínico, ou seja, não depende de
exames laboratoriais ou de imagem. Ele se baseia na observação cuidadosa do comportamento da criança, na
entrevista aprofundada com os responsáveis e na aplicação dos critérios
estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
(DSM-5).
Atenção redobrada: O documento alerta que fatores como vulnerabilidade social e o uso excessivo de telas podem, por vezes, mimetizar sintomas do TEA, exigindo uma
avaliação profissional extremamente cautelosa.
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Detalhes |
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História e Observação Clínica |
Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor, antecedentes gestacionais,
histórico familiar e observação direta do comportamento. |
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Escalas de Avaliação |
Uso de ferramentas
padronizadas (como M- Chat,
CARS-2, ADI-R, ADOS-2) como apoio
à avaliação clínica, e não como substitutas
do julgamento profissional. |
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Nível de Suporte |
Definição dos níveis 1, 2 ou 3 de suporte, conforme o DSM-5, para guiar a intensidade das intervenções. |
2.
Intervenções
Baseadas em Evidências: O Foco
na ABA
Quando se trata de tratamento, a diretriz é clara: a prioridade deve ser dada às práticas baseadas
em evidências (PBE). A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e os modelos naturalísticos são destacados como as
abordagens com maior respaldo científico
para promover melhorias significativas nas habilidades sociais, de comunicação e comportamentais.
O documento lista 28 PBEs, incluindo:
• Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
• Ensino por Tentativas Discretas
• Modelagem
• Treino de Habilidades Sociais
A carga horária terapêutica deve ser individualizada e definida pela equipe multidisciplinar, respeitando as necessidades específicas
de cada pessoa
com TEA.
3.
O Alerta Contra Práticas Sem Comprovação Científica
Um dos pontos mais cruciais da nova
diretriz é o alerta
explícito sobre
intervenções que carecem de evidências científicas robustas e que, portanto, não
devem ser recomendadas de forma rotineira.
Práticas Desaconselhadas por Falta de Evidência:
•
Dietas Restritivas: Dietas sem glúten ou caseína, a menos
que haja um diagnóstico de doença celíaca
ou alergia alimentar.
• Suplementações: Uso indiscriminado de ômega-3 e vitaminas.
• Intervenções Biológicas: Células-tronco, ozonioterapia e quelantes.
• Abordagens Específicas: Psicanálise e o método
Son-rise.
•
Canabidiol (CBD): Ainda considerado experimental e não
recomendado para uso rotineiro.
4.
O Papel da Genética e dos Exames Complementares
Embora o diagnóstico seja clínico, a
diretriz orienta sobre a investigação complementar em casos específicos. Exames como Microarranjo Genômico e Sequenciamento Completo do
Exoma são recomendados, especialmente em
casos familiares, associados à deficiência intelectual, epilepsia ou dismorfias, para identificar as bases genéticas
do transtorno.
A SBNI ressalta
que a medicação não trata os sintomas centrais
do TEA, mas é fundamental para o manejo de comorbidades
como TDAH, agressividade e distúrbios do sono. A melatonina é a opção com maior evidência
para melhorar a qualidade do sono em crianças com TEA.
Conclusão: Mais Ciência, Mais Cuidado
A nova diretriz da SBNI representa um
marco importante para a comunidade do autismo no Brasil. Ao focar em
intervenções baseadas em evidências e desaconselhar práticas sem comprovação, o
documento promove uma abordagem mais segura, eficaz e ética. Para pais e educadores, o principal recado é buscar sempre o embasamento científico e o cuidado multidisciplinar para garantir o melhor desenvolvimento e qualidade de vida para a
pessoa com TEA.
Referências
[1] G1. Nova diretriz nacional orienta
diagnóstico e tratamento do autismo com base em evidências científicas. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/20/nova-diretriz-nacional-orienta- diagnostico-e-tratamento-do-autismo-com-base-em-evidencias-cientificas.ghtml

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