12.11.25

Nova Diretriz Nacional Unifica o Diagnóstico e Tratamento do Autismo com Foco na Ciência


O que a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) diz sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição complexa que exige uma abordagem diagnóstica e terapêutica baseada em ciência. Recentemente, a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) lançou uma nova diretriz nacional que visa unicar e atualizar as práticas no Brasil, focando em evidências cientícas e desaconselhando práticas sem comprovação. Este artigo detalha os pontos mais importantes do novo documento, que serve como um guia essencial para prossionais, pais e educadores, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do cuidado multidisciplinar.

A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) lançou recentemente uma nova diretriz nacional que visa unicar e atualizar as práticas de diagnóstico e tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. O documento, baseado em um rigoroso conjunto de evidências cientícas, serve como um guia essencial para prossionais de saúde, pais e educadores, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do cuidado multidisciplinar.

 

1.    O Diagnóstico é Essencialmente Clínico

A diretriz reitera que o diagnóstico do TEA é clínico, ou seja, não depende de exames laboratoriais ou de imagem. Ele se baseia na observação cuidadosa do comportamento da criança, na entrevista aprofundada com os responsáveis e na aplicação dos critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).

Atenção redobrada: O documento alerta que fatores como vulnerabilidade social e o uso excessivo de telas podem, por vezes, mimetizar sintomas do TEA, exigindo uma avaliação prossional extremamente cautelosa.


Etapas Essenciais do Diagnóstico

Detalhes

 

 

História e Observação Clínica

Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor, antecedentes gestacionais, histórico familiar e observação direta do comportamento.

 

 

Escalas de Avaliação

Uso de ferramentas padronizadas (como M- Chat, CARS-2, ADI-R, ADOS-2) como apoio à avaliação clínica, e não como substitutas do julgamento prossional.

 

Nível de Suporte

Denição dos níveis 1, 2 ou 3 de suporte, conforme o DSM-5, para guiar a intensidade das intervenções.

 

 

2.    Intervenções Baseadas em Evidências: O Foco na ABA

Quando se trata de tratamento, a diretriz é clara: a prioridade deve ser dada às práticas baseadas em evidências (PBE). A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e os modelos naturalísticos são destacados como as abordagens com maior respaldo cientíco para promover melhorias signicativas nas habilidades sociais, de comunicação e comportamentais.

O documento lista 28 PBEs, incluindo:

    Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

    Ensino por Tentativas Discretas

    Modelagem

    Treino de Habilidades Sociais

A carga horária terapêutica deve ser individualizada e denida pela equipe multidisciplinar, respeitando as necessidades especícas de cada pessoa com TEA.

 

3.    O Alerta Contra Práticas Sem Comprovação Cientíca

Um dos pontos mais cruciais da nova diretriz é o alerta explícito sobre intervenções que carecem de evidências cientícas robustas e que, portanto, não devem ser recomendadas de forma rotineira.

Práticas Desaconselhadas por Falta de Evidência:

    Dietas Restritivas: Dietas sem glúten ou caseína, a menos que haja um diagnóstico de doença celíaca ou alergia alimentar.


    Suplementações: Uso indiscriminado de ômega-3 e vitaminas.

    Intervenções Biológicas: Células-tronco, ozonioterapia e quelantes.

    Abordagens Especícas: Psicanálise e o método Son-rise.

    Canabidiol (CBD): Ainda considerado experimental e não recomendado para uso rotineiro.

 

4.    O Papel da Genética e dos Exames Complementares

Embora o diagnóstico seja clínico, a diretriz orienta sobre a investigação complementar em casos especícos. Exames como Microarranjo Genômico e Sequenciamento Completo do Exoma são recomendados, especialmente em casos familiares, associados à deciência intelectual, epilepsia ou dismoras, para identicar as bases genéticas do transtorno.

A SBNI ressalta que a medicação não trata os sintomas centrais do TEA, mas é fundamental para o manejo de comorbidades como TDAH, agressividade e distúrbios do sono. A melatonina é a opção com maior evidência para melhorar a qualidade do sono em crianças com TEA.

 

Conclusão: Mais Ciência, Mais Cuidado

A nova diretriz da SBNI representa um marco importante para a comunidade do autismo no Brasil. Ao focar em intervenções baseadas em evidências e desaconselhar práticas sem comprovação, o documento promove uma abordagem mais segura, ecaz e ética. Para pais e educadores, o principal recado é buscar sempre o embasamento cientíco e o cuidado multidisciplinar para garantir o melhor desenvolvimento e qualidade de vida para a pessoa com TEA.

Referências

[1] G1. Nova diretriz nacional orienta diagnóstico e tratamento do autismo com base em evidências cientícas. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/20/nova-diretriz-nacional-orienta- diagnostico-e-tratamento-do-autismo-com-base-em-evidencias-cienticas.ghtml


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