Resumo Introdutório
A Sociedade
Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) [1] lançou uma nova diretriz nacional para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), um marco importante que visa padronizar o diagnóstico e o tratamento no
Brasil, alinhando-os às mais recentes e robustas evidências científicas. O documento reforça a
importância do diagnóstico clínico precoce, do cuidado multidisciplinar e, crucialmente, alerta a comunidade médica
e o
público sobre a ineficácia e os riscos de terapias
sem comprovação científica.
O Diagnóstico: Essencialmente Clínico e Criterioso
A diretriz enfatiza que o diagnóstico do TEA é essencialmente clínico, baseado na
observação do comportamento e na entrevista detalhada com os pais ou responsáveis,
seguindo os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
(DSM-5) [1].
Pontos-chave para o Diagnóstico:
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Detalhes |
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Avaliação Central |
Observação clínica, histórico de desenvolvimento neuropsicomotor e entrevista com os pais. |
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Ferramentas de Apoio |
Uso de escalas
de rastreio e avaliação (como
M- Chat, ADOS-2) para complementar a avaliação clínica. |
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Nível de Suporte |
Determinação dos
níveis de suporte (1, 2 e 3) conforme o DSM-5, com cautela em crianças pequenas. |
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Investigação Complementar |
Exames laboratoriais e de imagem
não são obrigatórios para o
diagnóstico, mas podem ser solicitados para excluir diagnósticos diferenciais (ex:
pesquisa de X-Frágil, ressonância magnética em casos específicos). |
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Alerta Clínico |
Fatores como vulnerabilidade social e uso excessivo de telas podem mimetizar sintomas
do TEA, exigindo atenção
redobrada do profissional. |
Tratamento: Foco em Práticas Baseadas em Evidências
O documento da SBNI lista 28 práticas terapêuticas com forte base em
evidências científicas, priorizando a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e modelos naturalísticos
[1].
Práticas Terapêuticas Recomendadas:
•
Análise do Comportamento Aplicada (ABA): Considerada a principal
abordagem, focada na modificação de comportamentos socialmente relevantes.
•
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Recomendada para o tratamento
de comorbidades
como ansiedade e depressão.
•
Treino de Habilidades Sociais: Essencial para o desenvolvimento de
interações sociais adequadas.
• Ensino por Tentativas Discretas (DTT) e Modelagem. Uso de Medicamentos:
A diretriz é clara: não há medicamentos para os sintomas
centrais do TEA. A terapia medicamentosa deve ser restrita ao tratamento de comorbidades associadas, como o Transtorno do Déficit de Atenção e
Hiperatividade (TDAH), agressividade e distúrbios do sono. A melatonina é destacada como a opção com maior evidência para melhorar a qualidade do sono em crianças com TEA [1].
O Alerta Contra Terapias Sem Comprovação Científica
Um
dos pontos mais relevantes da nova diretriz
é o alerta explícito contra práticas que, embora populares, carecem de
evidências científicas robustas e podem desviar recursos e tempo
preciosos para a intervenção precoce
[2].
Intervenções
Desaconselhadas por Falta de Evidência:
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Exemplos de Práticas |
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Dietas Restritivas |
Dietas sem glúten e/ou sem caseína. |
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Suplementação |
Uso indiscriminado de vitaminas, ômega-3. |
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Intervenções Biológicas |
Ozonioterapia, células-tronco, terapias com quelantes. |
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Abordagens Psicológicas |
Psicanálise e a abordagem Son-rise. |
|
Outras |
Uso de canabidiol (CBD) para sintomas
centrais (ainda considerado experimental). |
O documento enfatiza que a adesão a
essas práticas não comprovadas pode atrasar o início de
intervenções eficazes, prejudicando o desenvolvimento da criança.
Conclusão e Implicações Práticas
A nova diretriz
da SBNI é um passo fundamental para garantir que pessoas com TEA
recebam o melhor cuidado
possível, baseado na ciência. [1].
Implicações Práticas:
•
Para Pais e Cuidadores: A diretriz oferece um guia confiável para questionar e exigir intervenções baseadas em evidências,
protegendo seus filhos de terapias ineficazes ou potencialmente
prejudiciais.
•
Para Educadores: Reforça a necessidade de um olhar atento e treinado para a identificação precoce de sinais, encaminhando a criança para o diagnóstico clínico.
•
Para Profissionais da
Saúde: Padroniza a conduta, exigindo a priorização de práticas com comprovação científica e o uso criterioso de exames e medicamentos.
Ao focar em intervenções validadas e
desaconselhar práticas sem evidência, o Brasil se alinha a padrões
internacionais de excelência, promovendo um futuro de maior qualidade de vida e desenvolvimento para a comunidade autista.
**Font## Referências
[1]
G1. Nova diretriz nacional orienta diagnóstico
e tratamento do autismo com base em evidências
científicas. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/20/nova-diretriz-nacional-orienta- diagnostico-e-tratamento-do-autismo-com-base-em-evidencias-cientificas.ghtml
[2]
Folha
de S.Paulo. Autismo: nova diretriz alerta para terapias sem evidência.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/10/diretriz-nacional-sobre- autismo-alerta-contra-terapias-sem-comprovacao-cientifica.shtml


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