10.11.25

Nova Diretriz Nacional de Autismo: O que Muda no Diagnóstico e Tratamento com Base em Evidências Científicas


Resumo Introdutório

A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) [1] lançou uma nova diretriz nacional para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), um marco importante que visa padronizar o diagnóstico e o tratamento no Brasil, alinhando-os às mais recentes e robustas evidências cientícas. O documento reforça a importância do diagnóstico clínico precoce, do cuidado multidisciplinar e, crucialmente, alerta a comunidade médica e o público sobre a inecácia e os riscos de terapias sem comprovação cientíca.

 

O Diagnóstico: Essencialmente Clínico e Criterioso

A diretriz enfatiza que o diagnóstico do TEA é essencialmente clínico, baseado na observação do comportamento e na entrevista detalhada com os pais ou responsáveis, seguindo os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) [1].

Pontos-chave para o Diagnóstico:


Aspecto

Detalhes

 

Avaliação Central

Observação clínica, histórico de desenvolvimento neuropsicomotor e entrevista com os pais.

 

Ferramentas de Apoio

Uso de escalas de rastreio e avaliação (como M- Chat, ADOS-2) para complementar a avaliação clínica.

 

Nível de Suporte

Determinação dos níveis de suporte (1, 2 e 3) conforme o DSM-5, com cautela em crianças pequenas.

 

 

Investigação Complementar

Exames laboratoriais e de imagem não são obrigatórios para o diagnóstico, mas podem ser solicitados para excluir diagnósticos diferenciais (ex: pesquisa de X-Frágil, ressonância magnética em casos especícos).

 

 

Alerta Clínico

Fatores como vulnerabilidade social e uso excessivo de telas podem mimetizar sintomas do TEA, exigindo atenção redobrada do prossional.

 

 

Tratamento: Foco em Práticas Baseadas em Evidências

O documento da SBNI lista 28 práticas terapêuticas com forte base em evidências cientícas, priorizando a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e modelos naturalísticos [1].

Práticas Terapêuticas Recomendadas:

    Análise do Comportamento Aplicada (ABA): Considerada a principal abordagem, focada na modicação de comportamentos socialmente relevantes.

    Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Recomendada para o tratamento de comorbidades como ansiedade e depressão.

    Treino de Habilidades Sociais: Essencial para o desenvolvimento de interações sociais adequadas.

    Ensino por Tentativas Discretas (DTT) e Modelagem. Uso de Medicamentos:


A diretriz é clara: não medicamentos para os sintomas centrais do TEA. A terapia medicamentosa deve ser restrita ao tratamento de comorbidades associadas, como o Transtorno do Décit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), agressividade e distúrbios do sono. A melatonina é destacada como a opção com maior evidência para melhorar a qualidade do sono em crianças com TEA [1].

 

O Alerta Contra Terapias Sem Comprovação Cientíca

Um dos pontos mais relevantes da nova diretriz é o alerta explícito contra práticas que, embora populares, carecem de evidências cientícas robustas e podem desviar recursos e tempo preciosos para a intervenção precoce [2].

Intervenções Desaconselhadas por Falta de Evidência:

 

Categoria

Exemplos de Práticas

Dietas Restritivas

Dietas sem glúten e/ou sem caseína.

Suplementação

Uso indiscriminado de vitaminas, ômega-3.

 

Intervenções Biológicas

Ozonioterapia, células-tronco, terapias com quelantes.

Abordagens Psicológicas

Psicanálise e a abordagem Son-rise.

 

Outras

Uso de canabidiol (CBD) para sintomas centrais (ainda considerado experimental).

 

 

O documento enfatiza que a adesão a essas práticas não comprovadas pode atrasar o início de intervenções ecazes, prejudicando o desenvolvimento da criança.

 

Conclusão e Implicações Práticas

A nova diretriz da SBNI é um passo fundamental para garantir que pessoas com TEA recebam o melhor cuidado possível, baseado na ciência. [1].

Implicações Práticas:

    Para Pais e Cuidadores: A diretriz oferece um guia conável para questionar e exigir intervenções baseadas em evidências, protegendo seus lhos de terapias inecazes ou potencialmente prejudiciais.

    Para Educadores: Reforça a necessidade de um olhar atento e treinado para a identicação precoce de sinais, encaminhando a criança para o diagnóstico clínico.


    Para Prossionais da Saúde: Padroniza a conduta, exigindo a priorização de práticas com comprovação cientíca e o uso criterioso de exames e medicamentos.

Ao focar em intervenções validadas e desaconselhar práticas sem evidência, o Brasil se alinha a padrões internacionais de excelência, promovendo um futuro de maior qualidade de vida e desenvolvimento para a comunidade autista.

**Font## Referências

[1]  G1. Nova diretriz nacional orienta diagnóstico e tratamento do autismo com base em evidências cientícas. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/20/nova-diretriz-nacional-orienta- diagnostico-e-tratamento-do-autismo-com-base-em-evidencias-cienticas.ghtml

[2]  Folha de S.Paulo. Autismo: nova diretriz alerta para terapias sem evidência. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/10/diretriz-nacional-sobre- autismo-alerta-contra-terapias-sem-comprovacao-cientica.shtml

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