24.12.25

TEA e TDAH: Entendendo as Novas Diretrizes, Diferenças e o Caminho para Intervenções Eficazes

 


 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) são condições do neurodesenvolvimento que, embora distintas, frequentemente se manifestam com sintomas sobrepostos, tornando o diagnóstico e a intervenção um desafio complexo, mas crucial. A correta compreensão dessas condições, baseada em evidências científicas atualizadas, é fundamental para garantir o suporte adequado e promover a qualidade de vida de indivíduos e suas famílias. Recentemente, novas diretrizes e estudos têm lançado luz sobre o diagnóstico, o tratamento e as particularidades dessas condições no contexto brasileiro  1                        2     3 .

 

 

O Diagnóstico: Essencialmente Clínico e Multidisciplinar

 

As diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) reforçam que o diagnóstico do TEA é essencialmente clínico, dependendo da observação atenta, da entrevista detalhada com os pais ou cuidadores e da aplicação dos critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5)  1 .

 

É vital que o profissional de saúde considere o histórico completo do desenvolvimento neuropsicomotor da criança, bem como fatores ambientais. Por exemplo, a exposição excessiva a telas ou situações de vulnerabilidade social podem, em alguns casos, mimetizar sintomas do TEA, exigindo uma análise cuidadosa para evitar diagnósticos equivocados. O uso de escalas de rastreio validadas para o português brasileiro, como o M-Chat, CARS-2, ADI-R e ADOS-2, servem como um suporte valioso, mas nunca devem ser a única base para a conclusão diagnóstica  1 .

 

Um ponto importante é a determinação do nível de suporte (Nível 1 a 3, conforme o DSM-5). As diretrizes alertam que essa classificação não deve ser feita para crianças muito pequenas ou recém-diagnosticadas, e deve ser vista como algo que pode variar ao longo do tempo, à medida que o indivíduo se desenvolve e recebe intervenções  1 .

 

 

Diferenças e Semelhanças entre TEA e TDAH

 

A coexistência de TEA e TDAH é comum, mas é imprescindível diferenciar as causas subjacentes dos sintomas para um tratamento eficaz. O artigo da Artmed destaca que a principal distinção reside na natureza dos déficits .

 

A sobreposição sintomatológica é o grande desafio. Por exemplo, ambos podem ter dificuldades na comunicação social, mas por razões distintas: no TEA, está ligado à dificuldade de compreender a mente do outro; no TDAH, à desatenção e à perda de conteúdo durante a conversa  3 . A presença ou ausência de comportamentos restritivos e repetitivos e interesses atípicos é o critério diferencial mais relevante entre os dois transtornos  3 .

 

 

Intervenções e o Papel da Ciência

 

O tratamento do TEA deve ser transdisciplinar e altamente individualizado. As abordagens com maior evidência de eficácia são aquelas baseadas na ciência da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), frequentemente associada a outras terapias como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e o treino de habilidades sociais  1 . É crucial que a carga horária terapêutica seja flexível e ajustada pela equipe, e não imposta rigidamente, e que o treinamento de pais e cuidadores seja parte fundamental do processo  1 .

 

É importante ressaltar que não existe tratamento farmacológico para os sintomas centrais do TEA. Os medicamentos são empregados para tratar comorbidades, como agressividade, TDAH associado e distúrbios do sono  1 .

 

A Importância da Abordagem Motora

 

Estudos recentes da Universidade de São Paulo (USP) destacam que as anormalidades neurais presentes no TEA e no TDAH também podem afetar a aprendizagem motora  2 .


Indivíduos com TEA, por exemplo, podem apresentar menor habilidade motora manual e consistência, e essa dificuldade se correlaciona com a gravidade do transtorno. No TDAH, embora o comportamento pró-social (empatia e solidariedade) possa ser classificado como normal, a hiperatividade e a desatenção impactam o desenvolvimento motor  2 .

 

Isso sublinha a necessidade de intervenções que considerem o aspecto motor, como a manipulação da prática em aulas de Educação Física, e a importância da qualificação de profissionais para identificar e atuar nesses indicativos de transtornos  2 .

 

 

Conclusão e Perspectivas

 

A ciência avança continuamente, trazendo mais clareza sobre o TEA e o TDAH. O diagnóstico precoce e preciso, aliado a intervenções baseadas em evidências como o ABA e a consideração de aspectos como a aprendizagem motora, são os pilares para um desenvolvimento integral. A abordagem deve ser sempre multidisciplinar, empática e focada nas necessidades e potencialidades únicas de cada indivíduo.

 

 

Referências

 

[1] Saúde Abril. Nova diretriz para tratamento e diagnóstico de autismo: confira o que mudou. Disponível em:

[2] Jornal da USP. TDAH/autismo: estudos investigam comportamento e aprendizagem motora de pacientes. Disponível em:

[3] Artmed. TDAH e autismo: diferenças, semelhanças e desafios no diagnóstico. Disponível em:

Nenhum comentário:

Postar um comentário