Resumo Introdutório
A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) publicou uma atualização crucial em suas "Recomendações e Orientações para o Diagnóstico, Investigação e Abordagem Terapêutica do Transtorno do Espectro Autista (TEA)". Este novo documento, baseado nas mais recentes evidências científicas, traz orientações importantes para profissionais de saúde, famílias e educadores,
especialmente em relação ao tratamento de comorbidades como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e
a incorporação de novas
tecnologias no diagnóstico precoce.
1. O Novo Olhar sobre o TDAH em Pessoas com TEA
A comorbidade
entre TEA e TDAH é
frequente, e a diretriz reforça
que o tratamento medicamentoso deve ser
direcionado para os sintomas que causam maior prejuízo funcional.
1.1. Tratamento Farmacológico: Uma Nova Opção no Brasil
A diretriz reitera que os psicoestimulantes (como o
metilfenidato) são a primeira linha de tratamento para o TDAH. No entanto, em pacientes com TEA, a resposta pode ser menos favorável, com maior risco de efeitos colaterais como insônia, irritabilidade e perda de
apetite .
A grande novidade é a inclusão da atomoxetina como uma alternativa importante.
Disponível no Brasil a partir de 2024, a atomoxetina é um inibidor seletivo da recaptação
de noradrenalina e pode ser particularmente útil para indivíduos com TEA que não toleram os
efeitos adversos dos psicoestimulantes .
|
|
Mecanismo de Ação |
Indicação Principal em TEA |
Observação da Diretriz |
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Psicoestimulantes |
Aumentam dopamina e noradrenalina |
TDAH comórbido |
Podem
ter menor tolerância e mais efeitos adversos em pacientes com TEA
[1]. |
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Atomoxetina |
Inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina |
TDAH comórbido (alternativa) |
Útil para
pacientes com TEA que não toleram
psicoestimulantes. Disponível no Brasil
desde 2024 [1]. |
2. Rastreamento Visual (Eye-Tracking): A
Tecnologia no Diagnóstico Precoce
A diretriz destaca o potencial das novas tecnologias para auxiliar no diagnóstico precoce
do TEA, mencionando especificamente o rastreamento visual (eye-tracking) .
2.1. Como
Funciona o Rastreamento Visual?
O rastreamento visual é uma tecnologia que mede para onde e por quanto tempo uma pessoa olha. Em bebês e crianças pequenas, estudos têm demonstrado que padrões atípicos de atenção
visual (como menor tempo de fixação em faces e interações sociais)
podem ser
marcadores precoces do TEA .
• Promessa: Estudos recentes de eye-tracking em crianças entre 16 e 30 meses confirmaram um alto poder preditivo para o diagnóstico de TEA, com resultados
comparáveis à avaliação clínica de especialistas .
• Reconhecimento: Esses achados
foram tão significativos que
levaram o Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos a autorizar a comercialização do primeiro
dispositivo baseado em rastreamento visual para auxiliar no diagnóstico de TEA .
A SBNI reconhece que, embora ainda
não seja uma ferramenta de diagnóstico primária no Brasil, o rastreamento visual é uma realidade em países desenvolvidos e pode em breve ser um recurso valioso para auxiliar, ampliar ou validar o diagnóstico de TEA,
especialmente em lactentes e crianças menores .
Conclusão e Implicações Práticas
A atualização da diretriz da SBNI é um marco que alinha o Brasil às práticas internacionais baseadas em evidências.
• Para Profissionais de Saúde: A diretriz oferece um
guia claro para o manejo do TDAH comórbido,
incentivando a consideração da atomoxetina como uma alternativa eficaz. Além disso, orienta sobre a importância de se manter atualizado sobre as
tecnologias emergentes, como o rastreamento visual, que prometem revolucionar o
diagnóstico precoce.
• Para Pais e
Cuidadores: A mensagem é de esperança e realismo. O documento reforça a importância do diagnóstico precoce e das intervenções baseadas em evidências (como a ABA). A inclusão de novas opções medicamentosas e tecnologias de rastreio demonstra o avanço da ciência em
oferecer ferramentas mais precisas e personalizadas para o cuidado do TEA e suas comorbidades.
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Referências
[1] Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil
(SBNI). Recomendações e Orientações para o
Diagnóstico, Investigação e Abordagem Terapêutica do Transtorno do Espectro
Autista (atualização). Setembro, 2025. (Seção sobre Tratamento Farmacológico)
[2] Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil
(SBNI). Recomendações e Orientações para o
Diagnóstico, Investigação e Abordagem Terapêutica do Transtorno do Espectro
Autista (atualização). Setembro, 2025. (Seção sobre Novas Tecnologias e Rastreamento Visual)

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