5.12.25

Diretriz Nacional de Autismo 2025: O que Muda no Diagnóstico e Tratamento de TEA e TDAH


Resumo Introdutório

A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) publicou uma atualização crucial em suas "Recomendações e Orientações para o Diagnóstico, Investigação e Abordagem Terapêutica do Transtorno do Espectro Autista (TEA)". Este novo documento, baseado nas mais recentes evidências cientícas, traz orientações importantes para prossionais de saúde, famílias e educadores, especialmente em relação ao tratamento de comorbidades como o Transtorno do Décit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e a incorporação de novas tecnologias no diagnóstico precoce.

 

1.  O Novo Olhar sobre o TDAH em Pessoas com TEA

A comorbidade entre TEA e TDAH é frequente, e a diretriz reforça que o tratamento medicamentoso deve ser direcionado para os sintomas que causam maior prejuízo funcional.

 

1.1.  Tratamento Farmacológico: Uma Nova Opção no Brasil

A diretriz reitera que os psicoestimulantes (como o metilfenidato) são a primeira linha de tratamento para o TDAH. No entanto, em pacientes com TEA, a resposta pode ser menos favorável, com maior risco de efeitos colaterais como insônia, irritabilidade e perda de

apetite      .

A grande novidade é a inclusão da atomoxetina como uma alternativa importante. Disponível no Brasil a partir de 2024, a atomoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina e pode ser particularmente útil para indivíduos com TEA que não toleram os

efeitos adversos dos psicoestimulantes        .


Medicamento

Mecanismo de Ação

Indicação Principal em TEA

Observação da Diretriz

 

 

Psicoestimulantes

 

Aumentam dopamina e noradrenalina

 

 

TDAH comórbido

Podem ter menor tolerância e mais efeitos adversos em pacientes com TEA [1].

 

 

 

Atomoxetina

 

 

Inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina

 

 

TDAH comórbido (alternativa)

Útil para pacientes com TEA que não toleram psicoestimulantes. Disponível no Brasil desde 2024 [1].

 

 

2.  Rastreamento Visual (Eye-Tracking): A Tecnologia no Diagnóstico Precoce

A diretriz destaca o potencial das novas tecnologias para auxiliar no diagnóstico precoce

do TEA, mencionando especicamente o rastreamento visual (eye-tracking)        .

2.1.  Como Funciona o Rastreamento Visual?

O rastreamento visual é uma tecnologia que mede para onde e por quanto tempo uma pessoa olha. Em bebês e crianças pequenas, estudos têm demonstrado que padrões atípicos de atenção visual (como menor tempo de xação em faces e interações sociais)

podem ser marcadores precoces do TEA       .

    Promessa: Estudos recentes de eye-tracking em crianças entre 16 e 30 meses conrmaram um alto poder preditivo para o diagnóstico de TEA, com resultados

comparáveis à avaliação clínica de especialistas       .

    Reconhecimento: Esses achados foram tão signicativos que levaram o Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos a autorizar a comercialização do primeiro

dispositivo baseado em rastreamento visual para auxiliar no diagnóstico de TEA      .

A SBNI reconhece que, embora ainda não seja uma ferramenta de diagnóstico primária no Brasil, o rastreamento visual é uma realidade em países desenvolvidos e pode em breve ser um recurso valioso para auxiliar, ampliar ou validar o diagnóstico de TEA,

especialmente em lactentes e crianças menores        .


Conclusão e Implicações Práticas

A atualização da diretriz da SBNI é um marco que alinha o Brasil às práticas internacionais baseadas em evidências.

    Para Prossionais de Saúde: A diretriz oferece um guia claro para o manejo do TDAH comórbido, incentivando a consideração da atomoxetina como uma alternativa ecaz. Além disso, orienta sobre a importância de se manter atualizado sobre as tecnologias emergentes, como o rastreamento visual, que prometem revolucionar o diagnóstico precoce.

    Para Pais e Cuidadores: A mensagem é de esperança e realismo. O documento reforça a importância do diagnóstico precoce e das intervenções baseadas em evidências (como a ABA). A inclusão de novas opções medicamentosas e tecnologias de rastreio demonstra o avanço da ciência em oferecer ferramentas mais precisas e personalizadas para o cuidado do TEA e suas comorbidades.


 

Referências

[1]  Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI). Recomendações e Orientações para o Diagnóstico, Investigação e Abordagem Terapêutica do Transtorno do Espectro Autista (atualização). Setembro, 2025. (Seção sobre Tratamento Farmacológico)

[2]  Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI). Recomendações e Orientações para o Diagnóstico, Investigação e Abordagem Terapêutica do Transtorno do Espectro Autista (atualização). Setembro, 2025. (Seção sobre Novas Tecnologias e Rastreamento Visual)


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