Introdução
O Transtorno do Espectro Autista
(TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) são condições
neurodesenvolvimentais complexas que afetam milhões de crianças e adolescentes
em todo o mundo. A busca por intervenções complementares que possam aliviar os
sintomas e melhorar a qualidade de vida tem sido uma área ativa de pesquisa.
Recentemente, um estudo piloto investigou o potencial dos
probióticos como uma abordagem adjuntiva para o manejo de sintomas em
indivíduos com TEA e/ou TDAH [1].
O Estudo: Probióticos e seus Efeitos
Este estudo randomizado e controlado teve como objetivo principal
investigar o impacto de probióticos contendo cepas relacionadas à produção de
dopamina e ácido gama- aminobutírico (GABA) nas características clínicas
do TEA e/ou TDAH. Participaram 38 crianças com TDAH e 42 crianças com TEA, com idades entre 5 e 16 anos. Os
participantes receberam probióticos (Lactiplantibacillus
plantarum e Levilactobacillus brevis 109/cfu/dia) ou placebo por 12 semanas.
Os sintomas
foram avaliados por meio de relatórios dos pais, utilizando escalas padronizadas como o Conners' 3rd-Ed e o Social
Responsiveness Scale Test, 2nd-Ed (SRS-2). As crianças também realizaram testes
de desempenho contínuo (CPT 3 ou K- CPT 2). Funções executivas, qualidade de
vida e padrões de sono também foram avaliados pelos pais.
Resultados e Implicações
As análises iniciais não revelaram
diferenças significativas entre os grupos de probióticos e placebo nos dados
relatados pelos pais ou neuropsicológicos após a intervenção. No entanto,
análises estratificadas por idade mostraram melhorias nos sintomas de
hiperatividade-impulsividade em crianças mais jovens com TEA (Cohen’s
d = 1.245) e TDAH (Cohen’s d = 0.692).
Análises intragrupo (comparando o desempenho do mesmo
grupo antes e depois da intervenção) corroboraram esses achados para ambos os diagnósticos e grupos de idade. Uma melhora na impulsividade para crianças
com TEA também foi observada na análise intragrupo dos escores de comissões do CPT (probiótico: p = 0.001, Cohen’s d = -1.216;
placebo: p = 0.013, Cohen’s d = -0.721).
Além disso,
uma melhor pontuação de conforto (qualidade de vida) foi demonstrada em crianças com TEA (probiótico: p = 0.010, Cohen’s d = 0.722; placebo: p = 0.099, Cohen’s
d = 0.456).
Esses resultados sugerem que os probióticos
utilizados podem melhorar a hiperatividade-impulsividade em crianças com TEA e/ou TDAH, e a qualidade
de vida em crianças com TEA. É importante ressaltar que este é um estudo piloto e mais pesquisas
são necessárias para explorar os probióticos como uma intervenção terapêutica
adjuntiva para transtornos do neurodesenvolvimento.
Conclusão e Implicações Práticas
Embora os resultados sejam promissores, é fundamental que pais,
educadores e profissionais de saúde compreendam que os probióticos não são uma cura, mas podem
oferecer um suporte complementar. A decisão de incluir probióticos na rotina de
uma criança com TEA ou TDAH deve ser feita em conjunto com um profissional de saúde,
considerando as necessidades individuais e a evidência científica disponível. A pesquisa contínua nesta área é crucial
para desvendar o potencial completo da modulação da microbiota intestinal no
neurodesenvolvimento.
Referências
[1]
Rojo-Marticella, M., Arija, V., & Canals-Sans, J. (2025). Effect of
Probiotics on the Symptomatology of Autism Spectrum Disorder
and/or Attention Deficit/Hyperactivity Disorder in Children
and Adolescents: Pilot Study. Research on Child and
Adolescent Psychopathology. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/
s10802-024-01278-7
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