18.10.25

Probióticos e Neurodesenvolvimento: Uma Nova Perspectiva para TEA e TDAH


Introdução

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) são condições neurodesenvolvimentais complexas que afetam milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo. A busca por intervenções complementares que possam aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida tem sido uma área ativa de pesquisa. Recentemente, um estudo piloto investigou o potencial dos probióticos como uma abordagem adjuntiva para o manejo de sintomas em indivíduos com TEA e/ou TDAH [1].

 

O Estudo: Probióticos e seus Efeitos

Este estudo randomizado e controlado teve como objetivo principal investigar o impacto de probióticos contendo cepas relacionadas à produção de dopamina e ácido gama- aminobutírico (GABA) nas características clínicas do TEA e/ou TDAH. Participaram 38 crianças com TDAH e 42 crianças com TEA, com idades entre 5 e 16 anos. Os participantes receberam probióticos (Lactiplantibacillus plantarum e Levilactobacillus brevis 109/cfu/dia) ou placebo por 12 semanas.

Os sintomas foram avaliados por meio de relatórios dos pais, utilizando escalas padronizadas como o Conners' 3rd-Ed e o Social Responsiveness Scale Test, 2nd-Ed (SRS-2). As crianças também realizaram testes de desempenho contínuo (CPT 3 ou K- CPT 2). Funções executivas, qualidade de vida e padrões de sono também foram avaliados pelos pais.

 

Resultados e Implicações

As análises iniciais não revelaram diferenças significativas entre os grupos de probióticos e placebo nos dados relatados pelos pais ou neuropsicológicos após a intervenção. No entanto, análises estratificadas por idade mostraram melhorias nos sintomas de hiperatividade-impulsividade em crianças mais jovens com TEA (Cohen’s

d = 1.245) e TDAH (Cohen’s d = 0.692). Análises intragrupo (comparando o desempenho do mesmo grupo antes e depois da intervenção) corroboraram esses achados para ambos os diagnósticos e grupos de idade. Uma melhora na impulsividade para crianças


com TEA também foi observada na análise intragrupo dos escores de comissões do CPT (probiótico: p = 0.001, Cohen’s d = -1.216; placebo: p = 0.013, Cohen’s d = -0.721).

Além disso, uma melhor pontuação de conforto (qualidade de vida) foi demonstrada em crianças com TEA (probiótico: p = 0.010, Cohen’s d = 0.722; placebo: p = 0.099, Cohen’s d = 0.456).

Esses resultados sugerem que os probióticos utilizados podem melhorar a hiperatividade-impulsividade em crianças com TEA e/ou TDAH, e a qualidade de vida em crianças com TEA. É importante ressaltar que este é um estudo piloto e mais pesquisas são necessárias para explorar os probióticos como uma intervenção terapêutica adjuntiva para transtornos do neurodesenvolvimento.

 

Conclusão e Implicações Práticas

Embora os resultados sejam promissores, é fundamental que pais, educadores e profissionais de saúde compreendam que os probióticos não são uma cura, mas podem oferecer um suporte complementar. A decisão de incluir probióticos na rotina de uma criança com TEA ou TDAH deve ser feita em conjunto com um profissional de saúde, considerando as necessidades individuais e a evidência científica disponível. A pesquisa contínua nesta área é crucial para desvendar o potencial completo da modulação da microbiota intestinal no neurodesenvolvimento.

 

Referências

[1] Rojo-Marticella, M., Arija, V., & Canals-Sans, J. (2025). Effect of Probiotics on the Symptomatology of Autism Spectrum Disorder and/or Attention Deficit/Hyperactivity Disorder in Children and Adolescents: Pilot Study. Research on Child and Adolescent Psychopathology. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/

s10802-024-01278-7

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