23.9.25

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): Compreensão e Apoio


Introdução

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurobiológico que afeta milhões de crianças e adultos em todo o mundo. Caracterizado por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade, o TDAH pode impactar significativamente o desempenho acadêmico, profissional e as relações

sociais. Este artigo visa oferecer uma compreensão clara e empática do TDAH, baseada em evidências científicas e traduzida para o português, a partir das principais fontes científicas e jornalísticas.

 

O que é o TDAH?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento, de causas genéticas, que se manifesta na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a vida [4]. É caracterizado por desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, que são persistentes e prejudicam o funcionamento ou o desenvolvimento [6].

 

Sinais e Diagnóstico

Os sintomas do TDAH podem ser percebidos na infância, mas o diagnóstico pode ocorrer em idades mais avançadas [4, 5]. Um diagnóstico de qualidade é fundamental para delinear um tratamento adequado. Ele deve incluir histórico familiar e de desenvolvimento da criança, consulta médica, avaliação do nível de inteligência, personalidade, desempenho escolar, relações com amigos, disciplina e comportamento em casa e na sala de aula [6]. Os critérios diagnósticos são estabelecidos pelo DSM-V (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), que descreve três subtipos [7]:


Forma Predominante Hiperativa/Impulsiva

Caracterizada por inquietude, os principais sintomas incluem [7]:

 

Remexer ou batucar as mãos ou os pés, ou se contorcer na cadeira.

Levantar da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado.

Correr ou subir nas coisas em situações inapropriadas.

Incapacidade de brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente.

Agir como se estivesse "com o motor ligado".

Falar demais.

Deixar escapar uma resposta antes que a pergunta tenha sido concluída.

Dificuldade para esperar a sua vez.

Interromper ou se intrometer.

 

Forma Predominante Desatenta

Os principais sintomas são [7]:

 

Não prestar atenção em detalhes ou cometer erros por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou durante outras atividades.

Ter dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas.

Parecer não escutar quando alguém lhe dirige a palavra diretamente.

Não seguir instruções até o fim e não conseguir terminar trabalhos escolares, tarefas ou deveres no local de trabalho.

Ter dificuldade para organizar tarefas e atividades.

Evitar, não gostar ou relutar em se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado.

Perder coisas necessárias para tarefas ou atividades.

Ser facilmente distraído por estímulos externos.

Ser esquecido em relação a atividades cotidianas.

 

Para caracterizar uma das formas (hiperativa/impulsiva, desatenta e/ou combinada), o indivíduo deve apresentar pelo menos seis dos nove sintomas citados em cada módulo [7].

 

Neurociência e Causas

O TDAH é um distúrbio neurobiológico que envolve disfunção e desregulação do sistema dopaminérgico, especialmente na região frontal do cérebro, responsável pela atenção,


inibição de comportamento, memória, autocontrole, organização e planejamento [5, 7]. As causas são multifatoriais, incluindo [7]:

Hereditariedade: A incidência de TDAH em parentes de crianças com o diagnóstico é significativamente maior.

Fatores Ambientais: Exposição a substâncias tóxicas durante a gestação, uso de álcool e nicotina pela mãe, sofrimento fetal, exposição a chumbo e problemas familiares.

 

Comorbidades e Impacto

É comum que o TDAH venha acompanhado de outros problemas emocionais e comportamentais, como depressão, ansiedade, Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), Transtorno de Conduta, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e Transtorno de Tiques [7]. O TDAH pode ter um impacto significativo na vida do indivíduo, prejudicando o desempenho acadêmico e profissional, e predispondo a problemas sociais e legais, como o uso de drogas [7].

 

Tratamento e Intervenções

O tratamento do TDAH é multidisciplinar e deve ser individualizado. Inclui abordagens medicamentosas, como estimulantes (Ritalina, Concerta) e não estimulantes, que visam melhorar a concentração e reduzir a fadiga mental. Intervenções complementares não medicamentosas, como exercício físico, terapia ocupacional e biofeedback, também são reconhecidas por seus benefícios [5]. É fundamental que os pais procurem um especialista para diagnóstico e tratamento, como psiquiatras, psicólogos ou fonoaudiólogos, dependendo do caso [7].

 

Conclusão

O TDAH é um transtorno complexo que exige compreensão, diagnóstico preciso e intervenções adequadas. Ao desmistificar seus sintomas, causas e impactos, e ao promover a busca por apoio profissional, podemos contribuir para que indivíduos com TDAH alcancem seu pleno potencial e vivam uma vida mais equilibrada e produtiva.

 

Referências

[4] gov.br. Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/  2022/20220311_relatorio_cp_03_pcdt_tdah.pdf


[5] Scielo. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/rbp/a/zsRj5Y4Ddgd4Bd95xBksFmc

[6] IACAPAP. TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE. Disponível em:

https://iacapap.org/_Resources/Persistent/ 69b849d851e040c48cc0036bf888874a4716afa3/D.1-ADHD-Portuguese-2020.pdf

[7] Redalyc. Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH): desafios e possibilidades frente a sala de aula. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/ 5606/560659006004/html/

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