25.9.25

TDAH: Rumo a um Diagnóstico Mais Preciso com Biomarcadores e Ferramentas Neuropsicológicas

 


Introdução

O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurodesenvolvimental comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, caracterizada por desatenção persistente, hiperatividade e impulsividade. Embora seja altamente prevalente, o diagnóstico de TDAH ainda se baseia predominantemente em relatos subjetivos de comportamento, o que pode levar a atrasos e imprecisões. No entanto, avanços recentes na pesquisa estão abrindo caminho para um diagnóstico mais objetivo e preciso, por meio do uso de biomarcadores e ferramentas neuropsicológicas.

 

A Busca por um Diagnóstico Objetivo

Atualmente, a avaliação do TDAH depende em grande parte da observação clínica e de questionários preenchidos por pais, professores e pelos próprios indivíduos. Essa abordagem, embora valiosa, pode ser influenciada por diversos fatores, como a percepção individual dos sintomas e a presença de outras condições. A necessidade de métodos mais objetivos e confiáveis tem impulsionado a pesquisa em biomarcadores – indicadores biológicos que podem ser medidos de forma precisa e que refletem a presença ou a gravidade de uma condição.

 

Biomarcadores Promissores no TDAH

Diversas áreas de pesquisa têm revelado biomarcadores promissores para o TDAH:

Neuroimagem: Técnicas como a ressonância magnética estrutural (RM estrutural) e funcional (RM funcional) permitem visualizar o cérebro e sua atividade. Estudos têm identificado diferenças na estrutura e função de certas regiões cerebrais em indivíduos com TDAH, como o córtex pré-frontal, gânglios da base e cerebelo, que estão envolvidas na atenção, controle de impulsos e regulação motora [1].

 

Medidas Eletrofisiológicas: O eletroencefalograma (EEG) e os potenciais relacionados a eventos (PREs ou ERPs) medem a atividade elétrica do cérebro.


Padrões específicos de ondas cerebrais e respostas a estímulos podem ser associados ao TDAH, oferecendo insights sobre o processamento de informações e a atenção [1].

Medidas Bioquímicas: Pesquisas têm explorado a relação entre o TDAH e a concentração de certas substâncias no corpo, como o cortisol (hormônio do estresse) e a vitamina D. Desequilíbrios nesses biomarcadores podem estar ligados à fisiopatologia do TDAH e à sua manifestação clínica [1].

 

Novas Ferramentas Experimentais

Além dos biomarcadores tradicionais, novas ferramentas experimentais estão surgindo com grande potencial para o diagnóstico e monitoramento do TDAH:

Rastreamento Ocular (Eye-tracking): A análise dos movimentos oculares pode revelar padrões de atenção e impulsividade, fornecendo uma medida objetiva do foco e da distração [1].

Pupilometria: A medição da dilatação da pupila em resposta a estímulos pode indicar o nível de esforço cognitivo e a regulação da atenção [1].

Análise do Microbioma: A pesquisa sobre a conexão entre o intestino e o cérebro (eixo intestino-cérebro) sugere que o microbioma intestinal pode influenciar o desenvolvimento e a função cerebral, e estudos estão investigando sua relação com o TDAH [1].

Essas abordagens oferecem a promessa de medidas mais objetivas e dinâmicas dos sintomas do TDAH, complementando as avaliações comportamentais.

 

Impacto na Qualidade de Vida e Implicações Futuras

O TDAH pode ter um impacto significativo na qualidade de vida, afetando o bem-estar emocional, o desempenho acadêmico e o funcionamento social. Fatores como idade, sexo, comorbidades (outras condições de saúde que coexistem com o TDAH) e o suporte social e familiar também desempenham um papel crucial nos resultados a longo prazo [1].

A integração desses biomarcadores e ferramentas neuropsicológicas tem o potencial de revolucionar o diagnóstico de TDAH, permitindo uma identificação mais precoce e precisa. Isso, por sua vez, pode guiar estratégias de tratamento personalizadas, adaptadas às necessidades individuais de cada paciente, e levar a uma melhoria substancial nos resultados e na qualidade de vida. A transição de um diagnóstico


subjetivo para um diagnóstico de precisão é um passo fundamental para otimizar o cuidado e o suporte a indivíduos com TDAH.

 

Referências

[1] Hurjui, I. A., Hurjui, R. M., Hurjui, L. L., Serban, I. L., Dobrin, I., Apostu, M., & Dobrin, R.

P. (2025). Biomarkers and Neuropsychological Tools in Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: From Subjectivity to Precision Diagnosis. Medicina (Kaunas), 61(7), 712. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12300379/

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