A Genética da Neurodiversidade: Por Que Alguns Diagnósticos de Autismo e TDAH Estão Tão Ligados?
Uma descoberta científica recente, publicada na prestigiada revista Nature, está redefinindo a compreensão da arquitetura genética do
Transtorno do Espectro Autista (TEA) e sua frequente comorbidade com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Os achados sugerem que o TEA não segue um único caminho genético, mas sim dois perfis poligênicos distintos, que se manifestam de maneiras
diferentes ao longo do desenvolvimento e influenciam a idade do diagnóstico .
Os Dois Fatores Poligênicos do TEA
A pesquisa identificou que a base genética do TEA pode ser dividida em dois fatores principais, cada um com implicações clínicas e de desenvolvimento diferentes:
|
Fator 1 |
Idade do Diagnóstico |
Características de Desenvolvimento |
Correlaçã Saúde Me Correlaç
moderad outras co saúde m |
|
Precoce (Primeira Infância) |
Associado a menores habilidades sociais e de comunicação na primeira infância. |
||
|
Fator 2 |
Tardio (Adolescência/Adulto) |
Associado a maiores dificuldades socioemocionais e comportamentais na adolescência. |
Correlaç
positiva outras co saúde m |
Esta distinção apoia um "modelo de desenvolvimento" para o autismo, onde o Fator 2, ligado ao diagnóstico mais tardio, parece ser o principal motor da alta taxa de comorbidade entre
TEA e TDAH. Em outras palavras, a sobreposição genética entre autismo e TDAH é significativamente mais forte em indivíduos que recebem o diagnóstico de TEA mais tarde
na vida .
Implicação
Prática: A presença de sintomas de TDAH e
outras condições de saúde mental pode, em alguns casos, mascarar ou atrasar o diagnóstico de TEA, levando a uma identificação mais tardia.
Novas Diretrizes Nacionais Reforçam a Intervenção Precoce
Em paralelo aos avanços genéticos, as autoridades de saúde no Brasil têm atualizado as
diretrizes para o diagnóstico e tratamento do TEA e TDAH, reforçando a importância da intervenção precoce e do diagnóstico clínico.
1.
Diagnóstico Clínico e Rastreio Universal
A Sociedade Brasileira de
Neurologia Infantil (SBNI) e o Ministério da Saúde reiteram que o diagnóstico do TEA é essencialmente clínico, baseado na observação, entrevista
com os responsáveis e nos critérios estabelecidos pelo DSM-5 .
O Ministério da Saúde, em setembro de 2025, orientou que os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) realizem o rastreio de sinais
de autismo em todas as crianças
entre 16 e 30 meses de idade . O objetivo é a identificação precoce
para que a
intervenção terapêutica possa ser iniciada o mais rápido possível, maximizando os resultados do desenvolvimento.
2.
Novas Opções de Tratamento para TDAH
No campo do TDAH, uma novidade importante é a inclusão da atomoxetina como
alternativa aos psicoestimulantes no tratamento no Brasil, a partir de 2024 .
A atomoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina. Sua disponibilidade
é particularmente relevante para pacientes que não respondem bem aos estimulantes ou que apresentam comorbidades onde os estimulantes são contraindicados.
Conclusão: Um Olhar Integrado
para o Futuro
Os avanços na genética e as atualizações nas diretrizes clínicas apontam para uma abordagem cada vez mais personalizada e integrada do TEA e TDAH.
• Para Pais e
Educadores: É crucial estar atento aos sinais de desenvolvimento, tanto na primeira infância (Fator 1) quanto na adolescência (Fator 2), especialmente quando há comorbidade com TDAH. A busca por um diagnóstico clínico e a intervenção precoce continuam sendo as ferramentas mais poderosas.
•
Para Profissionais de Saúde: A nova compreensão genética exige uma avaliação diagnóstica mais aprofundada, que considere a possibilidade de diferentes perfis de desenvolvimento e
a forte correlação entre TEA de diagnóstico tardio e TDAH. A
inclusão de novas opções farmacológicas, como a atomoxetina, amplia o leque de tratamentos disponíveis.
A ciência continua a desvendar a complexidade da neurodiversidade, oferecendo esperança e
ferramentas mais precisas para apoiar o desenvolvimento e a qualidade de vida de indivíduos com TEA e TDAH.
![]()
Referências
[1]
Polygenic and developmental profiles of autism differ by age at diagnosis.
Nature. URL:
[2] Nova diretriz nacional orienta diagnóstico e tratamento do autismo com
base em evidências científicas.
G1. URL:
[3] Recomendações e Orientações para o Diagnóstico, Investigação e Abordagem Terapêutica do Transtorno do Espectro Autista. SBNI. URL:
[4] Ministério da Saúde orienta teste a todas as crianças para identificar possíveis sinais de autismo, com foco na intervenção precoce. Gov.br. URL:
[5] Recomendações e Orientações para o Diagnóstico, Investigação e Abordagem Terapêutica do Transtorno do Espectro Autista. SBNI. (Menciona a
atomoxetina como alternativa a partir
de 2024 ).
URL:

Nenhum comentário:
Postar um comentário