22.11.25

Uma Visão Geral sobre a Neurobiologia e Terapêutica do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)


Diagnóstico e Heterogeneidade do TDAH

O diagnóstico do TDAH baseia-se primariamente na avaliação clínica dos sintomas, conforme os critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais5ª edição (DSM-5) [1]. Para um diagnóstico preciso, os indivíduos devem apresentar um número especíco de sintomas de desatenção e/ou hiperatividade/impulsividade por pelo menos seis meses, com início antes dos 12 anos de idade, e que causem prejuízos em múltiplos contextos da vida [1]. O DSM-5 reconhece três apresentações clínicas: predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa/impulsiva ou combinada [1].

No entanto, o diagnóstico do TDAH pode ser desaador devido à sua substancial heterogeneidade em termos de aspectos clínicos e siopatológicos [1]. Essa heterogeneidade é exacerbada pelas altas taxas de comorbidades psiquiátricas, com mais de 60% dos indivíduos com TDAH apresentando pelo menos um transtorno comórbido, como depressão, ansiedade e transtornos de comportamento disruptivo [1]. É importante notar que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o TDAH são frequentemente comórbidos, e o DSM-5 atual não exclui o diagnóstico de TDAH na presença de TEA [1].

Além disso, pacientes com TDAH podem apresentar outras condições de saúde, como obesidade, distúrbios do sono e doenças autoimunes [1].

A apresentação clínica do TDAH também varia com a idade e o gênero. Em crianças, comorbidades como transtornos de conduta e de aprendizagem são mais comuns, enquanto em adultos, transtornos de humor, ansiedade, personalidade e uso de substâncias se tornam mais prevalentes [1]. A prevalência do TDAH é maior em meninos na infância e adolescência (proporção de 3:1 a 10:1), mas se equilibra na vida adulta [1].

Embora os sintomas, especialmente os de hiperatividade/impulsividade, possam diminuir com a idade, o TDAH pode utuar ou persistir ao longo da vida adulta. Estudos de coorte


sugerem que uma parcela signicativa dos casos de TDAH em adultos pode ter início tardio, desaando a concepção clássica do transtorno como exclusivamente neurodesenvolvimental com início na infância [1].

 

Correlatos Ambientais e Fatores de Risco

Diversas variáveis ambientais têm sido propostas como fatores de risco para o TDAH. Fatores pré, peri e pós-natais são frequentemente associados, incluindo baixo peso ao nascer, prematuridade e exposição materna a eventos estressantes ou condições de saúde adversas durante a gravidez [1]. A exposição materna a substâncias como cigarros, álcool, certos medicamentos, chumbo e manganês durante a gravidez e/ou na primeira infância também tem sido relacionada a um risco aumentado de TDAH [1]. Aspectos nutricionais e a dieta ao longo da vida são considerados fatores que podem inuenciar a suscetibilidade ao TDAH. Além disso, condições psicossociais como baixa renda e ambientes hostis também são fatores de risco [1].

 

Conclusão

O TDAH é um transtorno complexo com uma etiologia multifatorial que envolve aspectos genéticos, neurobiológicos e ambientais. Os avanços na pesquisa, especialmente na era das "ômicas", estão contribuindo para desvendar a arquitetura multifatorial do TDAH, o que é crucial para renar o diagnóstico e desenvolver novas opções terapêuticas. A compreensão aprofundada desses fatores permite otimizar os resultados do tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes [1].

 

Referências

[1] Silva, B. S., Grevet, E. H., Silva, L. C. F., Ramos, J. K. N., Rovaris, D. L., & Bau, C. H. D. (2023). An overview on neurobiology and therapeutics of attention-decit/hyperactivity disorder. Discover Mental Health, 3(1), 2. https://link.springer.com/article/10.1007/s44192- 022-00030-1

Nenhum comentário:

Postar um comentário