28.11.25

TDAH em Mulheres: As Consequências Psicossociais do Diagnóstico Tardio

Um Olhar sobre as Lutas Silenciosas de Mulheres com TDAH

O Transtorno do Décit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é frequentemente associado a meninos hiperativos, mas um estudo recente publicado no European Journal of Medical and Health Sciences [1] lança luz sobre uma realidade muitas vezes invisível: as graves consequências psicossociais do TDAH em mulheres, que são subdiagnosticadas e sub- reconhecidas. A pesquisa revela que, por trás de uma aparente "normalidade", muitas mulheres enfrentam anos de lutas silenciosas sem o apoio adequado.

### Por Que o TDAH em Mulheres é Diferente?

A apresentação do TDAH em mulheres é frequentemente mais sutil do que em homens. Em vez da hiperatividade física, elas tendem a apresentar mais sintomas de desatenção, como diculdade de concentração, esquecimento e desorganização. Além disso, as mulheres com TDAH são mais propensas a internalizar seus sintomas, o que pode se manifestar como ansiedade, depressão e baixa autoestima. Essa apresentação atípica, combinada com a pressão social para que as mulheres sejam organizadas e cumpram múltiplos papéis, muitas vezes leva a um diagnóstico tardio ou incorreto.

### As Principais Consequências Psicossociais:

O estudo identicou dez temas principais que descrevem a experiência feminina com TDAH. Entre eles, destacam-se:

    Desenvolvimento Emocional e Regulação: Mulheres com TDAH frequentemente sentem emoções de forma muito intensa, mas têm diculdade em compreendê-las e expressá-las (alexitimia). Isso pode levar a problemas em relacionamentos, sendo interpretadas como desinteressadas ou distantes. A diculdade em regular as emoções pode levar à internalização, resultando em automutilação, ou à externalização, com explosões de raiva e agressividade.

    Relacionamentos e Conitos: A diculdade em entender e expressar emoções, combinada com o medo do abandono, torna a formação e manutenção de relacionamentos um desao. Elas podem ser vistas como "difíceis", "negativas" ou "manipuladoras". Além disso, a sensibilidade extrema a críticas e a diculdade em tolerar falhas alheias podem gerar conitos frequentes.

    Automutilação e Suicidalidade: A internalização das emoções e a impulsividade, características comuns do TDAH, aumentam signicativamente o risco de automutilação e ideação suicida em mulheres com o transtorno.

    "Mascaramento" (Masking): Para se encaixar socialmente, muitas mulheres com TDAH desenvolvem a habilidade de "mascarar" seus sintomas, imitando o comportamento de pessoas neurotípicas. Embora seja uma estratégia de


sobrevivência, o mascaramento é extremamente exaustivo e pode atrasar ainda mais o diagnóstico e o tratamento adequados.

    Comorbidades: A ansiedade, a depressão e a labilidade emocional são muito comuns em mulheres com TDAH. O estudo também aponta para um risco aumentado de desenvolver um Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável (Borderline).

### A Urgência do Reconhecimento e do Apoio

As descobertas deste estudo são um alerta para a necessidade urgente de maior conscientização e apoio para mulheres com TDAH. O diagnóstico tardio ou incorreto não apenas prolonga o sofrimento, mas também priva essas mulheres de intervenções que poderiam mitigar os riscos psicossociais e melhorar sua qualidade de vida. É fundamental que prossionais de saúde, educadores e familiares estejam cientes das manifestações atípicas do TDAH em mulheres para que possam oferecer o suporte necessário.

### Referências:

[1] Kelly, C. A., Kelly, C., & Taylor, R. (2024). Review of the Psychosocial Consequences of Attention Decit Hyperactivity Disorder (ADHD) in Females. European Journal of Medical and Health Sciences, 6(1), 1-7. https://www.ej-med.org/index.php/ejmed/article/view/2033

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