Um Olhar sobre as Lutas Silenciosas de Mulheres com TDAH
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é frequentemente associado a meninos hiperativos, mas um estudo recente publicado no European Journal of Medical and Health Sciences [1] lança luz sobre uma realidade muitas vezes invisível: as graves consequências psicossociais do TDAH em mulheres, que são subdiagnosticadas e sub- reconhecidas. A pesquisa revela que, por trás de uma aparente "normalidade", muitas mulheres enfrentam anos de lutas silenciosas sem o apoio adequado.
### Por Que o TDAH em Mulheres é Diferente?
A apresentação do TDAH em mulheres é frequentemente mais sutil do que em homens. Em vez da hiperatividade física, elas tendem a apresentar mais sintomas de desatenção, como dificuldade de concentração, esquecimento e desorganização. Além disso, as mulheres com TDAH são mais propensas a internalizar seus sintomas, o que pode se manifestar como ansiedade, depressão e baixa autoestima. Essa apresentação atípica, combinada com a pressão social para que as mulheres sejam organizadas e cumpram múltiplos papéis, muitas vezes leva a um diagnóstico tardio ou incorreto.
### As Principais Consequências Psicossociais:
O estudo identificou dez temas principais que descrevem a experiência feminina com TDAH. Entre eles, destacam-se:
• Desenvolvimento Emocional e Regulação: Mulheres
com TDAH frequentemente sentem emoções
de forma
muito intensa,
mas têm
dificuldade em
compreendê-las e
expressá-las (alexitimia).
Isso pode
levar a
problemas em
relacionamentos, sendo
interpretadas como
desinteressadas ou
distantes. A
dificuldade em
regular as
emoções pode levar
à internalização,
resultando em
automutilação, ou
à externalização,
com explosões de raiva e agressividade.
•
Relacionamentos e Conflitos: A dificuldade em entender e expressar emoções, combinada
com o
medo do
abandono, torna
a formação
e manutenção
de relacionamentos
um desafio.
Elas podem
ser vistas
como "difíceis",
"negativas" ou
"manipuladoras". Além
disso, a
sensibilidade extrema
a críticas
e a
dificuldade em
tolerar falhas
alheias podem
gerar conflitos
frequentes.
•
Automutilação e Suicidalidade: A internalização das emoções e a impulsividade, características comuns do TDAH, aumentam significativamente o risco de automutilação e ideação suicida em mulheres com o transtorno.
•
"Mascaramento"
(Masking): Para se encaixar
socialmente, muitas mulheres
com TDAH desenvolvem a habilidade de "mascarar" seus sintomas, imitando o comportamento de pessoas neurotípicas. Embora seja uma estratégia de
sobrevivência, o mascaramento é
extremamente exaustivo e pode atrasar ainda mais o diagnóstico e o tratamento adequados.
•
Comorbidades: A ansiedade, a depressão e a labilidade emocional são muito comuns em mulheres com TDAH. O estudo também aponta para um risco aumentado de desenvolver um
Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável (Borderline).
### A Urgência do Reconhecimento e do Apoio
As descobertas deste estudo são um alerta para a necessidade urgente de maior conscientização e apoio para mulheres com TDAH. O diagnóstico tardio ou incorreto não apenas prolonga o sofrimento, mas também priva essas mulheres de intervenções que poderiam mitigar os riscos psicossociais e melhorar sua qualidade de vida. É fundamental que profissionais
de saúde, educadores e familiares estejam cientes das manifestações atípicas do TDAH em mulheres para que possam oferecer o suporte necessário.
### Referências:
[1] Kelly, C. A., Kelly, C., & Taylor, R. (2024). Review of the Psychosocial Consequences of Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) in Females. European Journal of Medical and Health Sciences, 6(1), 1-7. https://www.ej-med.org/index.php/ejmed/article/view/2033
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